Se os adolescentes contratados pelas falsas instituições de assistência social, descobertas pela polícia anteontem, foram contratados de forma irregular, a Delegacia do Adolescente pode enquadrar os chefes das quadrilhas por exploração de menores. O delegado Gumercindo Athaíde explica que, por enquanto, ainda não tem conhecimento se houve exploração das pessoas que trabalharam nas duas quadrilhas, apresentadas durante esta semana, no 4º Distrito Policial.
As duas quadrilhas presas contratavam adolescentes e desempregados para pedir dinheiro a instituições de caridade nas esquinas de Curitiba. Uma das entidades era a União Brasileira de Deficientes (Unbradef), do advogado Valnei Pinheiro Veiga, 51 anos, e do corretor de imóveis Justino José da Silva, 48 anos, que depositava o dinheiro em caderneta de poupança em nome da filha de Valnei. A outra era do empresário Luis Agostinho da Silva, 42 anos, que chefiava uma rede de garotas entre 16 e 18 anos que pedia doações em dinheiro para a Casa do Agasalho.
‘‘Se as jovens não foram contratadas regularmente e se tiverem menores de 14 anos, eles podem ser punidos pelo Estatuto da Criança’’, avisa o delegado Gumercindo. Na próxima semana, a delegada do 4º Distrito, Valéria Padovani de Souza, deve remeter informações do processo à Delegacia do Adolescente.
A delegada aposta que depois da prisão dos responsáveis, este tipo de golpe diminua. ‘‘Até o momento era visível a presença de pessoas mendigando nas ruas, mas vejo que isto vem diminuindo’’, diz. Valéria pede que a população ajude a evitar essa proliferação. ‘‘Quem quiser ajudar uma instituição, que vá até ela e doe o dinheiro’’, aconselha.

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