Pela primeira vez, desde que a sociedade civil começou a discutir a questão da segurança em Londrina, o comando das polícias Civil, Militar e Federal admitiu abertamente que a cidade está com falta de efetivo e que isso prejudica o trabalho. A admissão ocorreu ontem, em uma reunião com membros da Comissão Permanente de Defesa ao Consumidor e Segurança Pública da Câmara de Vereadores, com a participação do delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jurandir Gonçalves André; do comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Rubens Guimarães de Souza; do delegado-chefe da Polícia Federal, João Luiz do Prado; e do perito-chefe do Instituto de Criminalística (IC), Darci Dória de Oliveira.
A reunião foi convocada pelo presidente da Comissão, vereador Jamil Janene (PDT), para avaliar as estratégias e os recursos disponíveis para o combate à criminalidade na cidade. Segundo o vereador, o alto número de homicídios registrados neste ano 29 em 40 dias seria o indicativo de que algo está errado. ''Precisávamos saber de que forma a polícia pretende agir diante desta situação para cobrar atenção especial dos governos Estadual e Federal'', afirmou.
Todos os responsáveis pela segurança na cidade admitiram enfrentar problemas por falta de efetivo. Segundo João Luiz do Prado, a PF precisaria de pelo menos mais 20 agentes para atuar de forma ainda mais eficiente. ''O problema é que ficamos 10 anos sem concurso público e o efetivo do Brasil inteiro foi prejudicado'', explicou.
Já a Polícia Civil, de acordo com Jurandir André, precisaria de, pelo menos, mais 100 policiais. ''Com esse número a mais, poderíamos regionalizar e fortalecer o 3º e o 5º distritos policiais, que atendem as áreas mais complicadas no momento, em Londrina'', disse. Sem citar números, alegando questão de segurança, o comandante do 5º BPM também reconheceu a dificuldade enfrentada. Segundo ele, já foi apresentado ao comando da PM, em Curitiba, um plano de ação pedindo mais policiais. ''Mas a prioridade do governo, neste momento, é a readequação dos salários dos policiais. Não dá para contratar com o salário nesse nível'', explicou.
No IC e no Instituto Médico-Legal, que formam a Polícia Científica, faltariam, segundo Dória, cerca de 20 peritos e 15 auxiliares em cada uma. ''Hoje, na Criminalística, estamos tendo que cortar alguns serviços como exames de balística e química forense para reforçar as perícias em locais de crime'', apontou.
A Comissão de Segurança vai se reunir para discutir estratégias políticas para conseguir reforço para a cidade. ''Afinal, temos quatro deputados federais e três estaduais que podem se envolver na questão'', explicou Jamil Janene.

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