Um novo plano de segurança para a Universidade Estadual de Londrina (UEL), proposto pelo delegado aposentado e capitão da reserva da Polícia Militar (PM) Pedro Marcondes, já está nas mãos do reitor. Entre as várias medidas constantes do documento, a mais polêmica sugere a presença da polícia no campus.
Marcondes assumiu a chefia de segurança com a missão de reduzir o alto número de ocorrências criminosas registradas na UEL. As mais frequentes são os furtos e arrombamentos de veículos: só no último semestre, conforme dados da universidade, cinco carros e uma motocicleta foram levados do campus por ladrões. Outros 24 veículos foram arrombados, mais do que em todo o ano passado. ''Também temos notícia de estupros e tráfico de drogas ocorridos aqui dentro'', acrescentou Marcondes.
Para proteger 15 mil alunos e uma frota superior a 3 mil veículos por turno, a UEL conta hoje com 140 vigias. Marcondes afirmou que o ideal seriam 200 profissionais, mas que é possível reduzir o número de crimes com o efetivo atual se algumas medidas forem adotadas. ''Esses funcionários têm que deixar de ser apenas guardas patrimoniais, estáticos, e passar a exercer uma ostensividade para que os marginais se sintam vigiados'', explicou.
A primeira ação posta em prática foi identificar as viaturas da UEL - três carros e quatro motocicletas - como veículos de segurança. Os vigias também receberam coletes próprios. Eles ainda passarão por treinamento para aprender a identificar suspeitos e realizar abordagens. O departamento de segurança também estuda a implantação de um controle de acesso eletrônico aos estacionamentos. Atualmente, a tecnologia de segurança adotada na UEL se resume às 140 câmeras de vídeo-vigia espalhadas pelo campus.
O chefe de segurança também cobrou envolvimento da comunidade universitária. ''Alunos, docentes e funcionários podem deixar de ser potenciais vítimas adotando cautelas básicas, como trancar seus veículos, não deixar objetos no interior dos mesmos e não estacioná-los fora dos locais apropriados'', listou.
Pelo menos duas sugestões apresentadas por Marcondes devem provocar polêmica. A primeira é que seja recomendado que os estudantes não peguem carona com desconhecidos. ''É uma vulnerabilidade muito grande, para quem pega e quem dá carona. Isso só deve ser feito entre colegas'', justificou.
A proposta mais controversa, contudo, é a abertura do campus para a entrada de policiais civis, militares e federais em caso de ocorrências graves. ''Sempre houve uma idéia de que policiais não deviam entrar na UEL. Mas é um ranço da época da ditadura, em que a polícia tinha um aspecto de perseguição ideológica. Hoje, ela tem a função de garantir a nossa integridade'', argumentou. A proposta terá que ser submetida ao Conselho de Administração.
De acordo com o reitor Wilmar Marçal, existem hoje 22 mil pessoas ligadas à universidade que precisam de mais segurança, principalmente no período noturno. Ele ressaltou que iniciativas como a poda de árvores para melhorar a iluminação, a troca de lâmpadas queimadas e reuniões com vigias para redefinir ações já foram feitas.''Se for apontada a necessidade da presença da polícia para apoio logístico e o Conselho de Administração se mostrar favorável, a proposta será acatada. Mas não será uma imposição da reitoria''. (Colaborou Silvana Leão)

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