Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
O delegado corregedor auxiliar Jorge Cezar Ajuz começou a investigar ontem denúncias contra o delegado-chefe da 6ª Subdivisão Policial (SDP) de Foz do Iguaçu, Luis Carlos de Oliveira, que atua na cidade há dois anos. As acusações foram feitas pelo investigador licenciado Paulo Roberto Oliveira.
Paulo Roberto acusa o delegado de receber propina de quadrilhas para facilitar o tráfico de drogas na fronteira e a passagem para o Paraguai de veículos roubados no Brasil. Sustenta ainda que o delegado estaria recebendo suborno para facilitar a liberação ilegal de presos. Luis Carlos de Oliveira nega as acusações.
As denúncias foram feitas durante um depoimento que durou uma hora e meia, na semana passada. Paulo Roberto, de 42 anos, ainda acusou o delegado de estar envolvido em um suposto atentado à bomba contra sua casa, poucos dias antes do depoimento. O investigador admitiu não ter provas das acusações que fez.
A Folha não conseguiu localizar ontem o delegado, que está de férias desde o início do mês e só retorna ao trabalho em novembro. Em entrevista a jornais de Foz do Iguaçu, ele negou todas as acusações. Disse que o investigador sofre de ‘‘insanidade mental’’ e anunciou que vai processá-lo por calúnia e difamação.
Segundo declarações do delegado, Paulo Roberto responde a 12 processos, por crimes como agressão contra a própria mulher, extorsão, assassinato e estupro. Além disso, de acordo com o delegado, as denúncias começaram a ser feitas depois que ele afastou o investigador, sob a acusação de insubordinação e indisciplina.
Ao iniciar o trabalho, ontem, o corregedor não quis dar declarações sobre as investigações. As conclusões do inquérito, que transcorre em sigilo, serão encaminhadas ao Conselho da Polícia Civil. Dependendo das conclusões, o delegado Oliveira poderá ser demitido e processado criminalmente pelos crimes de que é acusado.
Mas pelo menos uma decisão contra ele já foi tomada. A Folha apurou que o secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, só espera o retorno de Luis Carlos das férias para removê-lo. O nome do substituto ainda não foi definido.

PRINCIPAIS ACUSAÇÕES
Contra o delgado Luis Carlos de Oliveira
- Recebimento de propina de quadrilhas para facilitar a passagem de veículos roubados para o Paraguai
- Recebimento de propina de quadrilhas para fazer ‘‘vistas grossas’’ ao tráfico de drogas
- Facilitação da liberação ilegal de presos, após o recebimento de suborno
- Participação em suposto atentado a bomba contra a casa do denunciante

mockup