Imagem ilustrativa da imagem Checklist contra a dengue antes de viajar
| Foto: Saulo Ohara 23/11/2016
Levantamento apontou que 35% dos criadouros de Aedes estavam em recipientes plásticos, garrafas e latas


Em época de dengue, os preparativos para a viagem de férias vão além de planejar o roteiro e arrumar as malas. Antes de pegar a estrada é preciso certificar-se de não estar deixando para trás criadouros do mosquito Aedes aegypti, responsável pela disseminação da dengue, zika vírus e febre chikungunya. É importante lembrar que o perigo não está só nos quintais das residências. Mesmo quem mora em apartamento deve estar atento a qualquer recipiente que possa acumular água, como ralos, vasos sanitários e compartimentos de descongelamento na parte de trás de geladeiras. O ciclo do mosquito dura de sete a dez dias e, para quem vai viajar por um período mais prolongado, os cuidados preventivos são indispensáveis.

A assistente social Aliana Santa Rosa da Silva, moradora do Jardim Petrópolis, na região central de Londrina, ainda não decidiu se irá viajar neste fim de ano, mas se precisar sair de casa garante que não deixará nenhum foco de dengue. "Na minha casa não tem nada que acumule (mosquito transmissor da) dengue. Tomo todos os cuidados para evitar a proliferação do mosquito. Tirei os pratinhos debaixo das plantas, olho sempre atrás da geladeira e cuido de todo lugar que possa acumular água", contou. Ao lado da casa de Aliana há uma obra parada e ela pediu a chave ao proprietário para inspecionar o local e eliminar possíveis focos do Aedes aegypti. "Estavam aparecendo muitos mosquitos durante o dia", disse.

Na quinta-feira (29), o agente de endemias da Secretaria Municipal de Saúde, Lucas Vinícius Silva Ferreira, fazia a inspeção dos imóveis do Jardim Petrópolis e confirmou que nessa época aumentam as lacunas durante as vistorias. "Tem muita gente viajando e muitos estabelecimentos comerciais em férias coletivas. Em um período em que chove muito e com temperaturas altas, como agora, em cinco dias já vai ter mosquito se os focos não forem eliminados", ensinou.

O último Levantamento Rápido de Infestação do Aedes aegypti (LIRAa), realizado em novembro passado pela Secretaria Municipal de Saúde, mostrou que 35% dos criadouros de mosquito estavam em recipientes plásticos, garrafas e latas. Os depósitos móveis, categoria na qual se encaixam os vasos, pratos, frascos com plantas, bebedouros de animais, entre outros, foram responsáveis por 26,6% dos focos do mosquito. Já os depósitos fixos, que compreendem as calhas de água da chuva, lajes, ralos e vasos sanitários não utilizados, somaram 13,3% dos criadouros encontrados na cidade.

"É importante que antes de viajarem, as pessoas tirem dez minutos para fazer o checklist e eliminar qualquer material que possa ser foco de dengue", disse a orientadora em Endemias da Secretaria Municipal de Saúde, Lucimara Vasconcelos.
"Da mesma forma como a gente checa se tem torneira pingando, se desligou o gás e o ferro elétrico antes de sair de casa, é importante descartar todo material que possa acumular água e também desobstruir qualquer passagem de água, como ralos e calhas. Vasos sanitários que não são utilizados devem ser tratados com água sanitária", orientou a superintendente de Vigilância em Saúde da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), Cleide Aparecida de Oliveira. "O combate ao Aedes aegypti é uma atitude de solidariedade de todos nós. Devemos tornar o ambiente hostil ao mosquito."

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