Eles podem até ser minoria na comunidade. Mesmo assim, chamam a atenção, principalmente por atitudes nem sempre comuns entre a maioria da população. São os chamados ‘‘politicamente corretos’’, pessoas que seguem à risca todas as normas mantidas numa sociedade. Algumas são vistas como ‘chatas’, mas também são consideradas figuras importantes para o desenvolvimento da cidadania.
Os PCs, como também são conhecidos, têm a constante preocupação de não infringir os valores, e principalmente de não ferir os sentimentos de pessoas ou coisas relativas a minorias e grupos marginalizados e desprotegidos. Eles defendem o meio ambiente, os direitos humanos e tudo o mais que consideram importante. Fazem parte, mesmo que inconscientemente, de um movimento que surgiu na década de 80, nos Estados Unidos, um país que possui uma longa tradição de defesa dos direitos humanos, mas também, paralelamente, outra longa tradição de preconceito e rancor.
A idéia chegou a dar certo, mas com o passar dos anos, o pêndulo pesou para o lado oposto. O exagero de certas pessoas fez com que o que era para ser uma reação sadia passasse a ter uma conotação estereotipada.
No Brasil, os politicamente corretos começaram a ser conhecidos nesta década. Foi por aqui que o movimento ganhou ares mais caricaturados. ‘‘E o principal motivo foi a cultura do País, que tem o famoso ‘jeitinho brasileiro’. Com isso, ‘‘a pessoa que age de forma correta acaba ficando fora de sintonia’’, afirma a terapeuta ocupacional Suzane Lohr.
Com a diferença comportamental, a sociedade age punindo os PCs. Um exemplo é o apelido criado para as pessoas que defendem arduamente o meio ambiente: o ecochato.
O extremismo dos politicamente corretos exige cuidados até mesmo na linguagem, que além de importante veículo de comunicação, pode representar valores, crenças e até uma história. O sociólogo Ricardo Costa de Oliveira, professor de Sociologia Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), diz que nessa linha alguns defendem que não se pode falar, por exemplo, a palavra ‘judiar’, no sentido de maltratar, que pode ofender o povo judeu.
Suzane Lohr explica que a iniciativa de ser politicamente correto está relacionada à história cultural do indivíduo, de onde nasceu, cresceu e foi educado. ‘‘A partir disso surgem os valores que a pessoa vai manter em sua vida. Ela seguirá leis, mesmo que não goste delas, ou até se vestir de derminada forma, mesmo que não se sinta bem’’, diz. Essas características, segundo ela, não podem ser confundidas com as ‘manias’ das pessoas que apresentam transtorno obsessivo compulsivo, embora sejam parecidas. Neste último caso, a pessoa exige que tudo seja realizado de maneira correta, mas através de regras estabelecidas por ela mesma.

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