Chapa derrotada denuncia compra de votos no Centrinho
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de setembro de 1997
Luka Morais 
Londrina
Marcos BorgesUrnas polêmicasPais de pacientes que apóiam a chapa de oposição dizem que atual diretoria cometeu irregularidadesA representante da chapa Pais e Pacientes, Ângela Maria Ribeiro, que disputou no sábado passado eleição para escolha da nova diretoria da Associação dos Fissurados de Londrina (Afilon), encaminha ainda hoje pedido de impugnação da chapa Renascer, encabeçada pela atual presidente da entidade, Sônia Machado, que venceu o pleito por uma diferença de 17 votos. A Afilon é a mantenedora do Centro de Atendimento Especializado Drª Sueli Maria - o Centrinho de Londrina - que atende portadores de lesões lábio-palatais.
O grupo formado por pais e pacientes acusa a chapa da situação de promover uma série de irregularidades para se manter à frente da associação, entre elas a compra de votos. A chapa vencedora, segundo Ângela Ribeiro, não estava habilitada para a disputa, uma vez que desrespeitou o artigo 29 do estatuto da Afilon, que proíbe a reeleição para o mesmo cargo.
A formação da chapa mista (formada por pessoas que não são pacientes ou pais de pacientes) também contraria o estatuto. O artigo 30 diz que uma chapa mista só pode concorrer caso não haja chapa formada por pais e pacientes. Além disso, diz Ângela Ribeiro, a chapa é incompleta, com três integrantes a menos que o previsto pelo estatuto. Ela também acusa a Renascer de não se inscrever no prazo estabelecido pelo regulamento da entidade.
Mas, entre todas as irregularidades apontadas por um grupo de pais e pacientes que apóia a chapa de oposição, a que mais causou revolta foi o número de pessoas, segundo eles, alheias ao trabalho da instituição, que compareceram às urnas no sábado passado. Nós temos a prova de que eram pessoas que não sabiam nem o que é a entidade, mas foram lá só para votar na chapa da situação, afirma a mãe de um paciente do Centrinho, Vera Lúcia Santos Ferreira. Ela conta que foram gravadas entrevistas com os novos eleitores - eles saberiam apenas que seus nomes constavam da lista de votação.
Segundo Ângela Maria Ribeiro, o estatuto estabelece que sócios-contribuintes podem participar da eleição. O problema, segundo observa, é que não está prevista carência entre o período em que os sócios começam a contribuir com a entidade e a data da eleição. Aproveitando-se deste expediente, Sônia Machado recolheu os 100 carnês de sócios-contribuintes que estavam na entidade e os levou para seu escritório particular, afirma Ângela Ribeiro. Ela disse que estava fazendo isso para evitar que a oposição filiasse pessoas para garantir o voto. Só que ela acabou usando os carnês para conseguir novos filiados.
Outra mãe de paciente do Centrinho, Irene da Silva Duque Martins, afirma que houve compra de votos. O pessoal da chapa estava oferecendo R$ 10,00 pelo voto. Chegaram a falar comigo. Eu os vi acertando com 11 pessoas.
As irregularidades denunciadas pelo grupo de pais e pacientes acabaram motivando o pedido de impugnação da chapa Renascer antes do início da votação. O pedido foi lavrado em ata. Diante dos indícios de irregularidades na venda de carnês para sócios-contribuintes, outras duas solicitações dos fiscais da chapa de oposição: anular as urnas que continham os votos dos contribuintes e embargar todo material utilizado no pleito.
Ao final da eleição foram apurados 127 votos para a chapa Renascer e 110 para a chapa Pais e Pacientes. A chapa de oposição obteve a maior parte dos votos depositados por pais e pacientes da entidade: foram 76 contra 25 da chapa Renascer. Queremos a impugnação da chapa que promoveu irregularidades. E que seja mantido o resultado dos votos de pais e pacientes.


