Chapa de oposição diz que vai
‘abrir’ Rural para os associados
Candidato afirma que diretorias passadas fecharam entidade e abandonaram principais interesses dos produtores
Célia Baroni

Mario Cesar
Chumbo grossoGalli, candidato a presidente: ‘Questões importantes como a defesa da propriedade não foram priorizadas’Mais participação dos associados e uma posição política voltada para os reais interesses do setor. Essas são as principais propostas da chapa Desperta Rural, que traz como candidatos à direção da Sociedade Rural do Paraná (SRP) os agropecuaristas Francisco Luiz Prando Galli - candidato a presidente - e Edson Neme Fernandes Ruiz, vice-presidente. Eles estiveram ontem na sede da Sociedade Rural, no Parque Governador Ney Braga (zona oeste), inscrevendo a chapa para as eleições do dia 30.
A SRP tem 1.009 associados ligados a atividades agrícolas, pecuárias e agroindustriais - cerca de 980 em condições de voto. Aproximadamente 80% dos associados são de Londrina.
A Desperta Rural é a primeira chapa a se inscrever e deverá concorrer com a chapa Celso Garcia Cid - da situação -, encabeçada por Otávio Cesário Pereira Neto. Até ontem, a chapa situacionista ainda não havia feito inscrição. Segundo Galli, as diferenças entre as propostas da chapa Desperta Rural e a da situação são muitas, mas todas se limitam a um aspecto: ‘‘A disputa vai se dar apenas no plano político-ideológico’’.
A tradição de chapa única nas eleições da Sociedade Rural foi quebrada na última eleição, em 1996. Na época, os associados preferiram a chapa situacionista, elegendo para presidente o agropecuarista Manoel Garcia Cid, atualmente licenciado do cargo. Luiz Roberto Neme assumiu a presidência desde que Neco Garcia foi nomeado presidente do Banestado.
Este ano a oposição aposta no descontentamento dos associados com os rumos dados pelas últimas administrações à Sociedade Rural. ‘‘Sem desmerecer o que foi feito, a Rural poderia ser hoje muito mais representativa do que 钒, afirma Galli. Ele enfatiza que seu único compromisso é com os associados. ‘‘Vou permanecer no cargo até o final do mandato e me comprometo a não me candidatar à reeleição. Acredito que devemos deixar espaço para novas idéias.’’
Entre as propostas da chapa Desperta Rural está a realização de uma pesquisa para levantar as principais reivindicações e sugestões dos associados. ‘‘Desconhecemos o perfil do nosso associado e queremos incentivar uma participação maior abrindo as portas da Rural e mostrando que a entidade é deles’’, diz Galli.
Para o agropecuarista, as administrações passadas ‘‘fecharam’’ a entidade, deixando de representar efetivamente os interesses da classe. ‘‘Questões importantes, como a luta por uma política agrária e em defesa do direito de propriedade, contra as invasões, não foram priorizadas. As ações têm sido tímidas’’, analisa o candidato a presidente.
Frontalmente contra invasões de fazendas por trabalhadores sem-terra, Francisco Galli diz que a reforma agrária proposta pelo governo está sendo feita ‘‘desordenadamente’’. Critica ainda o fato do governo estadual não cumprir as determinações de reintegração de posse emitidas pelo Judiciário. ‘‘Terra não é problema. Tem de sobra. O que falta é uma política agrícola que dê recurso e segurança para quem produz, para quem está na terra.’’
A chapa Desperta Rural é composta ainda por Arnaldo Coelho do Amaral Filho (diretor secretário); Walter Marinho Falcão (diretor administrativo financeiro); Antônio Sérgio Sguario Bastos (comercial); Renato Aranha Mesquita (patrimônio); Adolpho Fonseca Paranaguá (jurídico); Geraldo Rodrigues Froes (atividade agrícola); Homero Mascaro Garcia (atividade pecuária); Olavo de Souza Baptizaco (atividade agroindustrial); Ivo Vicentini (relações internacionais); José Otaviano Oliveira Ribeiro (pecuária de leite); Serafim Meneghel Junior (atividade equestre); Silvia Marina de Sá Pereira Vicentini (relação social); Angelo Favoreto Neto (manutenção de obras) e Fábio Barbante de Barros (fomento e formação profissional).

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