Josoé de CarvalhoSem preconceitoMulheres reunidas na sede da associação: participação políticaAs mulheres assumiram de vez o comando da Associação de Moradores do Jardim Santa Rita 2, zona oeste de Londrina. Uma chapa com 12 integrantes, formada exclusivamente por mulheres, venceu as últimas eleições, em janeiro deste ano. O placar foi arrasador, embora a chapa concorresse sozinha no pleito: 150 votos pelo sim; um pelo não; um nulo; um branco. A posse foi dia 30 de janeiro, no colégio estadual Tsuro Oguido.
‘‘A gente estava em dúvida para fechar a chapa porque os homens, na verdade, não tinham muita certeza se que queriam ou não participar. Aí tive a idéia de fazer uma chapa só com mulheres. Mas não é nada contra os homens’’, explica a nova presidente da Associação, Luzia Angélica Ferreira Côrrea.
Para Luzia, a presença da mulher na vida política da comunidade, exercendo cargos importantes, é fundamental para superar o preconceito que ainda hoje existe contra o sexo feminino. ‘‘A mulher só fica ouvindo o que o marido tem para falar. E acho que isso tem que ser quebrado. Temos que discutir de igual para igual, sem ficar numa posição inferior.’
A nova presidente acredita também que a mulher, por ter que trabalhar, cuidar da casa, dos filhos e, ainda, normalmente ter um contato maior com os vizinhos, tem muito mais condições de conhecer os problemas da comunidade do que os homens. Daí a disposição em trabalhar na associação de bairro.
Luzia Côrrea comenta também que não sentiu resistência por parte dos homens do bairro quando foi apresentada uma chapa composta só por mulheres. Pelo contrário. ‘‘Eles incentivaram bastante, apoiaram totalmente’’, garante. Além do mais, na nova administração da associação há alguns grupos de apoio e muitos deles - como o de esportes, por exemplo - são comandados por homens.
‘‘Tudo começa na política. E quando você se envolve na política, começa a participar das discussões, não pára mais’’, avalia Ivete Nóbile, também da nova diretoria da associação. Assim como a presidente, Ivete acredita que as mulheres estão mais preparadas para ajudar no trabalho comunitário. ‘‘Como dona-de-casa, a mulher entende de economia, cuida da saúde dos filhos, vai em reunião na escola. Então também pode participar politicamente.’
Essa é a primeira vez que Ivete Nóbile participa de uma chapa de associação de bairro. Há mais de sete anos, no entanto, está envolvida com outros projetos comunitários. É, por exemplo, presidente da Associação de Pais e Mestres (APM) do colégio Tsuro Oguido; membro do Conselho Regional de Saúde da Região Oeste (Consoeste); e ajuda a administrar uma creche da associação. Sem contar que é mãe de dois filhos, de 12 e 18 anos, e ainda estuda.
Entre as propostas da nova diretoria da Associação, que tem mandato de dois anos, estão a urbanização e transformação em espaço de lazer de um terreno ao lado do colégio Tsuro Oguido; a reforma e ampliação da sede da associação; a implantação, no bairro, de diversos projetos já desenvolvidos pela Prefeitura, principalmente na área de artes.
‘‘A gente sabe que as mulheres são mais firmes, mais persistentes. A tendência da participação delas nas associações é cada vez maior’’, aponta Joel Tadeu, tesoureiro da Federação das Associações de Bairros de Londrina. ‘‘Por isso, achamos muito importante a formação de uma chapa, no Santa Rita 2, só com mulheres.’ Segundo ele, isso nunca havia acontecido na Cidade.

mockup