Chaminés são demolidas em Ibiporã
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sábado, 01 de fevereiro de 2003
Giovana Kindlein<br> Reportagem Local 
Ibiporã Meio século depois, as velhas chaminés da Cerâmica Nossa Senhora Aparecida, no centro da cidade, vão ao chão. A chuva fina de ontem à tarde não impediu que os ferros do guindaste derrubassem um dos principais referenciais de Ibiporã, na Rua Francisco Loures Salinet, perto do prédio da prefeitura e do Fórum da comarca.
Sob olhares incrédulos e emocionados, a fábrica que já produziu tijolos para o Centro Comercial de Londrina e o Edifício Bosque onde funciona a Folha de Londrina dois dos prédios mais antigos da cidade e construções como o moderno Empório Guimarães, foram se desmanchando pouco a pouco. ''É quase uma vida'', disse, com os olhos lacrimejantes, o aposentado João Daminelli, que teve a primeira carteira de trabalho assinada pelo fundador da cerâmica Alberto Negro, falecido em 2001 aos 89 anos de idade.
As sete chaminés já não soltam mais fumaça desde outubro do ano passado, quando a última queima aconteceu e os 50 funcionários foram demitidos ou aposentados. A tradicional cerâmica funcionava havia 50 anos no centro de Ibiporã. ''Tudo tem seu tempo'', sintetizou o proprietário Cícero Negro. A escassez de argila principal matéria-prima de telhas e tijolos e o crescimento da cidade pressionando a fábrica, que produzia 750 mil peças/mês, foram os dois fatores que levaram a família Negro a fechar a cerâmica e abrir um loteamento no local. ''Para manter essa produção, ultimamente, era um Deus nos acuda'', comentou Negro.
A matéria-prima vinha das margens do Rio Tibagi. Nos últimos anos, de acordo com Negro, as restrições ambientais aumentaram muito. O problema é comum à maioria das 11 mil unidades cerâmicas produtivas no País.
Segundo ele, a desapropriação da área pela Companhia Energética de São Paulo (Cesp) acelerou este processo. ''Foi aí que começou o nosso martírio'', relembrou o filho do fundador.
A decisão de lotear os 22 mil metros quadrados de área foi tomada em conjunto por Negro, a mulher e suas quatro filhas, três das quais trabalhavam na cerâmica. O novo loteamento Residencial Alberto Negro terá 40 lotes residenciais e um maior, para a construção de um shopping ou o Supermercado Montana, distribuídos em três quadras.
O prefeito de Ibiporã, Reinaldo Ribeireti (PTB), visitou a demolição na manhã de ontem e prometeu estudar uma alternativa para deixar uma das chaminés de pé como marco histórico da cidade. ''É a nossa história'', complementou a filha Ana Flávia Negro, que espera salvar uma das chaminés.


