Nos últimos meses, a Prefeitura de Londrina enfrentou problemas estruturais com o chafariz localizado na Gleba Palhano (zona sul), que resultaram em consumo elevado de água. O equipamento voltou a funcionar após manutenção. Essa não é a única estrutura que apresenta problemas. Pelo menos dois locais visitados pela reportagem são alvo de reclamações pelo estado de abandono.

Tomi Nakagawa

Inaugurada em 2008 durante as comemorações dos 100 anos da Imigração Japonesa no Brasil, a Praça Tomi Nakagawa, região central de Londrina, é cenário de abandono e alvo de vandalismo há anos. O chafariz maior do local, construído para simbolizar a água e a vida, está inativo há pelo menos cinco anos, funcionando como depósito de lixo.

A FOLHA esteve no ponto turístico na tarde desta terça-feira (22), atestando que a presença de fezes humanas e restos de embalagens é um problema que não foi resolvido desde a nossa última denúncia da situação, em junho do ano passado. Totalmente seco, o espaço acumula ainda bitucas de cigarros e copos plásticos, enquanto que papéis rasgados, caixas de papelão e garrafas e sacolas são encontradas nas imediações.

O chafariz menor da praça também está totalmente inativo, sem volume algum de água. As estruturas ficam ao lado do PAI (Pronto Atendimento Infantil), com a praça sendo o local de descanso de uma funcionária da unidade que preferiu não se identificar.

Praça Tomi Nakagawa: cenário de abandono e alvo de vandalismo há anos
Praça Tomi Nakagawa: cenário de abandono e alvo de vandalismo há anos | Foto: Heloísa Gonçalves

A mulher trabalha no PAI desde 2020 e contou que nunca viu os chafarizes em operação nestes cinco anos. “Antigamente era bonito, os japoneses faziam eventos, mas acabou tudo por causa dos usuários de drogas. Estavam pintando um tempo atrás, achei que iam abrir a fonte de novo e voltar com os eventos, mas nada”, informou. Disse ainda que “antes era bonito aqui, bem cuidado, agora está abandonado”.

Existe um totem de monitoramento da Guarda Municipal do outro lado da praça, próximo à Rua Minas Gerais, mas a mulher considera não ser o suficiente para garantir a segurança de quem frequenta a praça, como ela faz diariamente.

A reportagem questionou a Prefeitura de Londrina sobre a pasta responsável pela manutenção dos chafarizes, e se há um projeto em fase de estudos para reativá-los. A assessoria informou somente que “a fonte localizada na praça Tomi Nakagawa está desativada”.

Imagem ilustrativa da imagem Chafarizes de Londrina acumulam lixo e reclamações
| Foto: Heloísa Gonçalves

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Rocha Pombo

Também no centro do município, a Praça Rocha Pombo comporta dois chafarizes em uma mesma estrutura. O espaço é tombado pelo Patrimônio do Estado desde 1974 e em 2018 passou por uma reforma, com troca de fiação, pintura, e a recuperação do mobiliário e reservatório de água, além da reativação dos chafarizes após muitos anos sem funcionamento. Porém, em em 2023, o estado das estruturas era de abandono, com a água turva e lixo acumulado.

Logo após a publicação da reportagem, a prefeitura providenciou a limpeza.

Nesta terça-feira, o menor espelho d’água tinha somente um dos jatos ativos, com todos os outros, inclusive da estrutura maior, sem funcionar. A água parada e suja estava há cerca de 10 centímetros do fundo da estrutura, com um par de meia, pote descartável de marmita e galhos de árvore boiando ou afundados.

Além de canos enferrujados, parte da estrutura apresentava um forte cheiro de fezes, com garrafas de bebidas e maços de cigarro na grama que circunda o chafariz.

A CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) é a responsável pela limpeza, capina e roçagem da praça, além da manutenção dos motores (bombas) e limpeza da água dos chafarizes da Praça Rocha Pombo, do Calçadão e o da Avenida Madre Leônia Milito com a Avenida Ayrton Senna, na Gleba Palhano, zona sul. “Todos os três estão sob contrato e no nosso cronograma de trabalho”, informou a assessoria.

A reportagem questionou sobre o motivo da inatividade das estruturas da Rocha Pombo, e se há previsão de quando a água será limpa, porém, não foi dada a resposta até a publicação do texto.

Praça Rocha Pombo
Praça Rocha Pombo | Foto: Heloísa Gonçalves

'Parece abandonado'

Kennedy Mininiel, motorista de ônibus, aguarda o horário de bater o ponto no Terminal Central todos os dias na praça. Ele contou que a última vez que viu o chafariz maior em operação foi há cerca de duas semanas.

“Apesar de estar pintado, a grama cortada, parece que está abandonado. A ideia é ser um ponto turístico convidativo, mas com essa falta de cuidado, não dá vontade de passar por aqui”, considerou.

Disse ainda que a situação dos chafarizes, de transeuntes jogarem lixo na água, poderia ser resolvida com a presença de um guarda e maior manutenção. “Talvez uma feira, algo para movimentar mais. Tem vezes que eu saio daqui meia-noite e é deserto, você só vê morador de rua”, informou o motorista.

No Calçadão

Destoando do cenário das outras estruturas, o chafariz do Calçadão de Londrina, localizado entre as Ruas Prefeito Hugo Cabral e Pernambuco, estava completamente ativo nesta terça, com todos os jatos d’água em serviço. Não havia lixo na construção, aparentando estar limpa.

Imagem ilustrativa da imagem Chafarizes de Londrina acumulam lixo e reclamações
| Foto: Heloísa Gonçalves

Porém, o funcionamento traz problemas aos comerciantes da área imediata, visto que pessoas em situação de rua têm o costume de aproveitar a água para se banharem, conforme depoimentos de vendedores de diferentes lojas. Dulcimar Freitas, gerente de uma ótica em frente ao chafariz, contou que a prática acontece quase todos os dias, espantando possíveis clientes e desvalorizando o comércio.

“As pessoas tomam banho, bebem água que é imprópria para consumo. Tem gente que faz necessidades fisiológicas ali dentro também, em muitas situações eles acabam tocando nas partes íntimas e fica muito desagradável para quem está aqui trabalhando”, explicou Freitas.

A gerente informou que após o uso indevido do chafariz, a água fica suja, turva e com mau cheiro. “Animal de rua toma banho ali também, o pessoal lava os pés, cospem ali dentro, é muito nojento. Na verdade, essa fonte deveria ter uma grade de proteção e uma placa escrita que a água é imprópria e que é proibido tomar banho”, sugeriu.

Resposta

A Prefeitura foi questionada sobre as reclamações recorrentes de comerciantes sobre o mau uso do chafariz do Calçadão, e se o órgão planeja uma solução para o problema. Em nota, a Secretaria Municipal de Obras informou que “paga, mensalmente, a conta de consumo de água de três chafarizes. São eles o da rotatória das avenidas Madre Leônia e Ayrton Senna, o do Calçadão e o da praça Rocha Pombo”, sem dar mais detalhes.

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