Foz do Iguaçu - A 3ª Vara Criminal de Foz do Iguaçu publicou ontem sentença determinando que oito policiais civis e um delegado envolvidos na morte de quatro adolescentes, em outubro de 1997, sejam levados a júri popular. O juiz Eduardo Sarrão considerou as mortes homicídios qualificados cometidos por policiais da 6ª Subdivisão Policial.
A chacina aconteceu na favela do Monsenhor Guilherme. Adenilson Dias de Matos, que na época tinha 17 anos, foi morto com seis tiros, Eli de Oliveira, 18, foi morto com quatro disparos, Giovani Medina, 17, e Arnaldo Oziel Mongelos, 16, foram atingidos por tiros na cabeça. Nenhum policial foi ferido.
Para Sarrão, ‘‘há nos autos indicativos de que as vítimas, no momento do delito, estivessem indefesas e dominadas, exatamente como narrado na denúncia’’. Duas testemunhas oculares relataram que os jovens foram retirados pelos policiais do interior de um barraco e algemados. Sem portar arma, foram conduzidos até o muro de um terreno baldio, onde foram assassinados.
Depois de reunir provas, depoimentos de acusação e da defesa num processo de mais de 2 mil páginas, o juiz enquadrou quatro vezes os réus no crime de homicídio qualificado como ‘‘emboscada, que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido’’. A pena prevista é de 12 a 30 anos de prisão, multiplicada por quatro, gira de 48 a 120 anos de reclusão.
O Ministério Público Estadual pediu ainda qualificação por motivo ‘‘torpe’’ (repugnante) e cruel, mas o juiz desconsiderou os itens por entender que os motivos para o pedido não foram especificados na ação, em trâmite desde janeiro de 1999. A data para o julgamento depende da resposta das partes. Os réus e o MP podem recorrer da sentença.
Os réus têm o direito de aguardar o julgamento em liberdade. Os investigadores Fioravante Perruchon dos Santos, 29, Francisco Carlos Cogrossi, 39, Hugo Vidal Ferreira Júnior, 44, Luiz Carlos dos Santos, 40, Luiz Carlos Duriuex, 44, Paulo Roberto Saucedo, 35, Pedro Isac Nemeck, 43, continuam na ativa. Celso Geraldo Carneiro, 43, está em Itaipulândia. O chefe da operação, Antonio Donizete Botelho, 45, está na Delegacia do Adolescente de Cascavel.

mockup