James Alberti
De Curitiba
Os acusados pela chacina de Cruz Machado (45 km ao norte de União da Vitória), ocorrida dia 1º, devem ser apresentados amanhã, às 15 horas, no Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) em Curitiba. João Maria Amândio Pereira, 21 anos, e José Jacir da Silva, 23 anos, são acusados pelo assassinato de cinco pessoas, entre elas duas mulheres e uma criança, na zona rural de Cruz Machado. Eles foram presos num acampamento do Movimento dos Sem Terra (MST) em Santo Inácio, na divisa do Paraná com de Mato Grosso do Sul e São Paulo.
A chacina aconteceu durante um assalto a um armazém. Os dois assaltantes estariam acampados na Fazenda Madeirite, em Inácio Martins, município vizinho a Cruz Machado. O acampado Iraides Pinto Ribeiro, 31 anos, conhecido por ‘Cabelo’, também foi preso, na quarta-feira, acusado de ajudar na fuga dos acusados. Os dois assaltantes foram presos na quinta-feira.
Quinze dias depois das mortes, comerciantes, vizinhos e moradores de vilas próximas ainda estão apavorados. Nem mesmo a prisão dos acusados do crime na semana passada trouxe calma. A comerciante Italina Paiva, da localidade de Santana, a 18 quilômetros do local do crime, afirma que a chacina chocou a todos na região e despertou o medo da violência. ‘‘Estamos todos com medo. Eram fregueses nossos’’, revelou.
‘‘É um caso atípico de violência na região. Não existe história nem de assalto’’, diz o biólogo Ricardo Krul, 31 anos, filho da comerciante Helena Krull, 65 anos, dona do armazém, irmão de Danuta Sass Krull, 40 anos, e tio de Alexandre Sass Krull, 5 anos, três das cinco vítimas. As outras duas são o vereador José Camargo, 42 anos, e Antonio Vizinhevski, 49 anos, um cliente que tomava uma cerveja. ‘‘É um crime inédito e provavelmente não venha acontecer outro por muitos anos.’’
Uma sexta vítima, identificada apenas como Juca, fingiu estar morta, escapou da chacina e ajudou na identificação dos acusados. O agricultor Zeno Stadinik, que reside próximo ao armazém, acredita que o pavor dos moradores só deve diminuir depois que se confirme, sem qualquer dúvida, que os acusados presos são os autores das mortes. Mas, para Krul, a prisão dos acusados não acaba com a violência contra os moradores. Ele cobra mais atenção do governo do Estado e da polícia na região.

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