Chacina de adolescentes completa 5 anos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de outubro de 2002
Alexandre Palmar<br> Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu A chacina de quatro adolescentes na favela Monsenhor Guilherme, em Foz do Iguaçu, completa hoje cinco anos marcados pela lentidão da Justiça em elucidar uma diligência realizada por oito policiais civis e um delegado. A demora tem revoltado parentes dos garotos mortos à balas em 10 de outubro de 1997.
Em trâmite desde janeiro de 1999, o processo investiga as mortes de Adenilson Dias de Matos, que na época tinha 17 anos, morto com seis tiros; de Eli de Oliveira, 18, morto com quatro disparos, de Giovani Medina, 17, e Arnaldo Oziel Mongelos, 16, atingidos também por tiros na cabeça. Nenhum policial foi ferido.
O último grande avanço da ação - de atuais 2.267 páginas e 17 volumes - ocorreu em março deste ano, quando o então juiz da 3 Vara Criminal, Eduardo Sarrão, considerou as mortes homicídios qualificados e ordenou que os réus sejam levados a júri popular.
A defesa usou os prazos legais para apresentar recursos contra a decisão judicial. Os advogados discordaram do juiz, que enquadrou quatro vezes os réus no crime de homicídio qualificado como ''emboscada, que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido''. A pena prevista é de 12 a 30 anos de prisão, multiplicada por quatro, gira de 48 a 120 anos de reclusão.
Com o fim do período para defesa, o processo chegou na semana passada nas mãos do promotor Sidney Maynardes Júnior, da 13 Promotoria (especializada em homicídios). Ontem, ele assegurou a Folha que suas contra razões de recurso devem ser formuladas até a próxima semana. Depois, o processo segue para o Tribunal de Justiça, em Curitiba.
''O Tribunal de Justiça vai julgar a manutenção ou não da sentença pronúncia que leva os policiais ao juri popular. O Tribunal vai decidir se manda todos para julgamento popular, se manda alguns, ou se vai anular a decisão (em primeira instância)'', explicou o promotor.
Enquanto a decisão não sai, todos os réus continuam na ativa, a maioria na 6 Subdivisão Policial (SDP), em Foz. Um deles está lotado na Delegacia do Adolescente de Cascavel e outro na delegacia de Itaipulândia (Oeste). Os policiais argumentam que os jovens faziam parte de uma quadrilha de narcotráfico, estavam armados, reagiram a prisão com tiros e portava drogas.
A mãe de Eli de Oliveira, a dona de casa Maria de Lourdes de Oliveira, 46, discorda dos policiais. Segundo ela, as vítimas, no momento do delito, estavam indefesas e dominadas. Ela lembrou que testemunhas viram os jovens serem retirados pelos policiais do interior de um barraco e algemados. Sem portar arma, foram assassinados. ''Só torço para que a Justiça seja feita''.


