Chacina completa 4 anos sem julgamento
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terça-feira, 09 de outubro de 2001
Alexandre Palmar<br> De Foz do Iguaçu 
Favela do Monsenhor Guilherme, 10 de outubro de 1997. Seis horas da manhã. Quatro adolescentes morrem numa ação policial em Foz do Iguaçu. Adenilson Dias de Matos, 17 anos, é morto com seis tiros (três na cabeça, dois no tórax e um na perna esquerda), Eli de Oliveira, 19 anos, é morto com quatro tiros (três na cabeça e um no braço esquerdo), Giovani Medina, 15 anos, recebe três tiros (cabeça, tórax, bacia) e Arnaldo Oziel Mongelos, 16 anos, um tiro na cabeça.
Quatro anos depois, as marcas da chacina ganharam versões bem distintas das famílias das vítimas e dos advogados de defesa, mas pouco interferiram no trabalho dos nove policiais envolvidos no episódio - todos saídos ilesos do suposto tiroteio (ver texto nesta página). Os policiais continuam na ativa, enquanto familiares dos rapazes aguardam o resultado do processo, aberto pelo Ministério Público Estadual (MPE).
Os investigadores Fioravante Perruchon dos Santos, 29, Francisco Carlos Cogrossi, 39, Hugo Vidal Ferreira Júnior, 44, Luis Carlos dos Santos, 39, Luis Carlos Duriuex, 44, Paulo Roberto Saucedo, 35, Pedro Isac Nemeck, 43, continuam na 6ª Subdivisão Policial (SDP), em Foz do Iguaçu. Celso Geraldo Carneiro, 43, está lotado em Santa Terezinha de Itaipu (25 km ao nordeste de Foz). O chefe da operação, Antonio Carlos Botelho, assumiu a Delegacia do Adolescente de Cascavel.
Por enquanto, o grupo foi punido pelo Conselho da Polícia Civil. Os envolvidos foram suspensos por dois meses do trabalho (junho e julho de 98), sob acusação de removerem os corpos antes da chegada da perícia. O tratamento dispensado pelo Ministério Público ao processo, porém, é diferente do prestado pelo órgão encarregado de punir os erros e abusos de policiais. Depois de acumular 2.143 folhas distribuídas em 11 volumes, os autos começam a caminhar para um desfecho.
A primeira fase do processo, em trâmite desde 1999 na 3ª Vara Criminal, está perto de ser concluída. Já foram ouvidas 14 testemunhas arroladas na denúncia e as testemunhas arroladas na defesa. Em 16 abril de 2001, o Ministério Público fez suas alegações finais, solicitando que os réus sejam submetidos ao júri popular. Em setembro deste ano, foi a vez da defesa apresentar sua conclusão.
Resta agora o juiz da 3ª Vara Criminal de Foz, Eduardo Casagrandre Sarrão, decidir os próximos rumos do processo crime. O magistrado pode absolver ''sumariamente os réus, pode desclassificar o crime de um crime para outro, pode ser dito que não é crime e pode ser dito que é crime e vai para o júri'', explica o promotor Acir Bueno de Camargo. O juiz deve começar a analisar as considerações finais da fase de pronúncia neste mês. Não há um prazo para seu pronunciamento. O Ministério Público pede condenação por homicídio qualificado, que prevê até 30 anos de detenção em regime fechado.


