Chacina ampliou discussão sobre violência entre jovens
Emerson Cervi
De Curitiba
Os assassinatos de cinco jovens na terça-feira, na Vila Autódromo, em Curitiba, fez com que a discussão sobre o crescimento da violência entre adolescentes e o envolvimento cada vez mais cedo de crianças à criminalidade ganhasse força. Todos os mortos faziam parte de uma quadrilha de assaltantes com envolvimento em tráfico de drogas, segundo a polícia. Para o promotor de Justiça Murillo José Digiácomo, do Centro de Apoio Operacional das Promotorias da Criança e do Adolescente de Curitiba, ainda existe muita desinformação. Mais que aumento da violência entre adolescentes, o que temos constatado é um aumento da violência contra adolescentes, diz.
Segundo o promotor, traficantes que aliciam os jovens para a criminalidade são adultos. Os menores são vítimas. No caso da Vila Autódromo, as impressões do promotor são confirmadas. Entre os cinco mortos da quadrilha, quatro eram menores, um deles com 14 anos. A polícia identificou e está procurando três possíveis assassinos. Todos com mais de 18 anos.
Na opinião de Digiácomo, os menores muitas vezes entram para o tráfico de drogas para prestar serviços aos traficantes e financiar o vício. O envolvimento com as drogas é algo muito democrático, está disseminado em todas as classes sociais, ele aparece com mais violência nas classes baixas porque os adolescentes que recebem mesadas dos pais têm como financiar o próprio vício sem precisar roubar ou traficar.
Estatuto Outra desinformação comum quanto ao crescimento da violência envolvendo menores e drogas é que o Estatuto da Criança e do Adolescente favorecesse a delinquência. O que falta na maioria das vezes é o conhecimento da lei e o preparo das autoridades encarregadas de garantir sua aplicação, lembra Digiácomo.
O menor está sujeito a uma pena de internação de até três anos quando comete crime ou contravenção. O Educandário São Francisco, em Piraquara, destinado a privação de liberdade para menores infratores, tem 230 internos e está superlotado. Se fosse verdade que o estatuto não pune os menores, não teríamos tantos internos no educandário.
Digiácomo lembra que quando atuava no Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator, encontrava casos em que menores não sabiam que poderiam ser privados da liberdade.
Para o promotor, a única forma de conter a criminalidade entre jovens é através da educação. Temos que colocar as crianças nas escolas e fazer com que o processo educativo prepare eles para a vida, tornando-os mais imunes ao aliciamento de criminosos. Ele também discorda do processo de exclusão pela qual passam as crianças com desvios de sociabilidade. Quando os meninos considerados problemáticos são separados dos demais na escola eles se unem em grupos e se voltam contra o sistema que os renegou.





