Ibiporã O nome sugere que o lugar é morada da tranquilidade, onde todas as manhãs os raios de sol realçam os tons da natureza. Mas desde pouco mais de um ano atrás, os moradores do Recanto Alvorada, em Ibiporã (14 km a leste de Londrina) passaram a conviver com um problema que distoa do ar tranquilo das inúmeras chácaras que formam o bairro. Eles reclamam que o volume alto da música que anima as festas promovidas pela Associação dos Servidores Municipais de Ibiporã até altas horas da madrugada tira o sono dos sitiantes. O caso já provocou até denúncia na Polícia Civil e Justiça.
A professora Cristina Rodrigues, que mora numa chácara que faz divisa com a Associação, contou que o problema com a poluição sonora teria começado em outubro do ano passado, quando a direção da entidade começou a promover festas ou alugar o salão com mais frequência. Ela disse que ao relatar o problema a um diretor, ele teria assegurado que iria afixar quadros com o regulamento da associação nas paredes para que as regras fossem respeitadas. Mas até o momento, segundo a moradora, nenhuma providência foi tomada. A última festa que houve, reclamou Cristina, o som alto persistiu até quase de manhã. ''Se a gente quer dormir não consegue. E se está dormindo, acorda com o barulho'', afirmou.
Também vizinho da associação, o sitiante aposentado Marcílio Chimentão, 82 anos, e a filha Meire Chimentão, convivem com o barulho e um problema a mais. ''Toda vez que tem festa, eles jogam pedras nas minhas janelas e no telhado'', afirmou, apontando para os vidros da janela da cozinha que já foram quase todos quebrados. Os moradores dizem que não são contra as festas promovidas pela Associação nem contra quem as frequenta. O problema, dizem, é que o barulho avança a madrugada e o temor é de que o barulho aumente com a chegada das festas de fim de ano.
Há um mês, os moradores recolheram assinatura e encaminharam a reclamação para o delegado de Ibiporã, Marcos Belinati. Ele informou à Folha que ouviu as partes, lavrou um termo circunstanciado de infração penal (Tecip) por perturbação do sossego e encaminhou o caso para a Justiça, para ser agendada uma audiência de conciliação. Até a última segunda-feira, no entanto, o processo ainda não havia sido distribuído nem marcada a data da audiência.
O presidente da Associação, Marcos Antônio Dias, rebateu que as festas não duram até a madrugada, que o som mecânico não seria tão alto e que o salão não está mais sendo alugado. Ele disse acreditar que as reclamações têm motivações políticas pois surgiram depois que ele assumiu a direção do clube dos servidores. ''Estou tentando tomar as providências mas essas coisas são demoradas e não se resolvem de um dia para outro'', afirmou.

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