Chácara sofre desmatamento polêmico
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quinta-feira, 10 de setembro de 1998
Guilherme Vieira 
A Promotoria de Defesa do Meio Ambiente começou a investigar ontem a destruição de uma área de seis mil metros quadrados de preservação ambiental nas proximidades da cidade de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. A área faz parte da propriedade do professor universitário Osvaldo Heller da Silva, e foi desmatada pela Companhia Campolarguense de Energia (Cocel) para evitar que os galhos das árvores danificassem uma linha de rede elétrica. Temos que manter os cabos livres de contato com os galhos para evitar quedas na rede, o que pode prejudicar outros consumidores. Ao mesmo tempo, a poda permite o acesso da equipe que faz a manutenção em caso de defeito, justificou o engenheiro Marco Antonio Portugal, responsável pela Divisão de Distribuição da Cocel.
Segundo a promotora Swami Moungenot Bonfim dos Reis, estão sendo instauradas investigações preliminares para determinar danos e a autoria do desmatamento. Pretendemos descobrir até que ponto a empresa cumpriu o seu dever e até que ponto ela se excedeu, disse. A promotora informou que o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) deve realizar uma vistoria no local e apresentar um relatório dentro de dez dias, descrevendo o que realmente houve na área. A Cocel também vai ser oficiada para informar, dentro do mesmo prazo, se foi a responsável pelo desmatamento, informou.
O professor Osvaldo Heller da Silva contou que o desmatamento aconteceu no dia 2 de setembro, em uma área que vinha recebendo uma atenção especial por conter exemplares que não podem ser cortados, como araucárias e palmeiras, e outras árvores nativas que vinham sendo plantadas desde que a propriedade foi comprada, há cerca de quatro anos. Além de preservar, estava recuperando a área com o plantio de novos exemplares, disse.
Segundo Heller, os funcionários da companhia responsável pelo desmatamento chegaram ao local e entraram na propriedade sem ao menos avisar o caseiro. Depois que eles já estavam trabalhando, meu funcionário foi até o local e, por ser uma pessoa muito simples, aceitou a alegação de que o serviço estava autorizado, disse.


