Dois depois da invasão à sede de uma chácara na região do Assentamento Monte Cristo, zona leste de Londrina, saqueadores ainda entravam na casa em busca de objetos que não haviam sido levados. A invasão ocorreu no sábado à noite, por um grupo de mais de 50 pessoas. O grupo manteve o caseiro Antônio Carlos de Oliveira Filho, a mulher dele e a filha de 5 anos, sob ameaça por mais de quatro horas.
A chácara pertence à família do médico Caio de Moura Rangel, há mais de 50 anos. A maior parte da área do imóvel (mais de 2 alqueires) é ocupada por moradores sem-teto desde novembro de 1996. Os invasores, segundo a professora Míriam Rangel Moreira, filha do médico, são moradores do assentamento que querem ocupar também a área da sede, que ainda permanece com a família. A casa da sede teve portas e janelas depredadas. Alguns móveis e ferramentas foram levados pelos saqueadores.
No domingo, o caseiro foi levado pelos patrões para outro local e parte da mobília da casa foi retirada pelas filhas do médico. A polícia esteve no local e teria detido duas pessoas. Como os saques continuaram, Míriam temia que a casa fosse incendiada. Quando a reportagem da Folha chegou ao local ontem de manhã, presenciou cerca de dez pessoas saindo do local com objetos nas mãos.
O presidente da Federação de Assentamentos e Moradores Sem-Teto de Londrina e região, José Ricardo da Silva, condenou o ato de vandalismo dos moradores do Monte Cristo. A Federação não possui o número correto de famílias instaladas no Monte Cristo - ele acredita que sejam 580 famílias.

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