Uma pequena chácara, verdejante e bem cuidada, localizada no Jardim Pindorama (zona leste de Londrina), está criando confusão entre seu ''proprietário'' e a Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina. A chácara fica junto a um pequeno loteamento, que abrigará as 17 famílias que invadiram, há cinco anos, a área da nascente do Córrego das Pedras, a 400 metros do local. A administração municipal quer tirar o sitiozinho do local, que é um fundo de vale. O chacareiro foi procurado por policiais militares esta semana: a Cohab o acusa de depredar, na semana passada, parte da galeria fluvial e das instalações de esgoto e água já adicionadas ao terreno que receberá as famílias, de três mil metros quadrados. O ato de vandalismo foi registrado em boletim de ocorrência.
Mas o chacareiro, Carlos Pereira da Silva, 36 anos, nega que tenha sido autor do vandalismo. ''Alguém arrancou umas tampas velhas de ferro e imaginaram que, por eu estar reclamando a minha terra, quebrei a galeria e as manilhas'', defende-se. Ele também afirma que não teve qualquer conversa com a polícia. ''Se a Cohab tem tanta certeza que fui eu, então alguém viu. E por quê não chamaram a polícia na hora?'', perguntou.
Silva mostra-se desesperado com a situação e diz que não tem para onde ir. Quer, pelo menos, alguma compensação pela chácara. Pode ser uma data junto ao assentamento ou dinheiro que lhe dê condições de encontrar outro lar. Segundo ele, seu pai começou a cuidar da área há 18 anos. Há seis, o comerciante vive lá com a mulher e os dois filhos.
Ele argumenta que concordou e até colaborou com a instalação das famílias e com a derrubada das árvores e cultivos que preservava onde hoje está o aterro do loteamento. Segundo ele, providenciou inclusive o recuo de sua cerca, que começava no fim do asfalto da Rua Nossa Senhora de Lourdes. ''Não vou ter onde morar, depois de tanto cuidar dessa área, que já estaria invadida não fosse por mim'', reclama.
Segundo Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, presidente da Cohab, a transferência das famílias é questão de dias, e situação não tem volta. ''Ele começou a fazer ameaças, dizendo que iria dar o troco se alguém fosse morar lá'', lembra Afonseca. O presidente da Cohab reitera que o comerciante é invasor do local, pois montou sua propriedade em um fundo de vale. ''Já temos autorização do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para derrubar o sítio'', informa. Ele disse que o chacareiro já tem uma casa da Cohab no Jardim San Rafael (zona leste), que mantém alugada.
A afirmação também é contestada por Silva. ''Eu trabalho com sucata em meu ferro-velho mas só comprei os direitos para usar o local, que é uma invasão'', afirma, inconformado com a explicação para sua retirada do Pindorama. ''Se não posso ficar em fundo de vale, então a creche aqui do lado está irregular, os meus vizinhos estão irregulares, e ao redor do Lago Igapó tem um monte de mansão irregular'', complementa.

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