O pedido de reintegração de posse da chácara do médico pioneiro Caio Rangel de Moura, 90 anos, que teve parte da área ocupada e transformada no assentamento Monte Cristo, zona leste de Londrina, não está entre as três ações que o comando do 5º Batalhão da Polícia Militar pretende cumprir. A ocupação da chácara ocorreu em novembro de 1996 e a reintegração, concedida pela Justiça duas semanas depois, nunca foi cumprida.
No mês passado, a sede da chácara - que ainda está em poder da família do médico - foi depredada, saqueada e incediada.
O juiz que cuidava do caso, Fernando Prazeres, enviou por duas vezes correspondência ao comando do 5º Batalhão da Polícia Militar, solicitando reforço policial para a retirada das famílias. Os dois pedidos foram respondidos pelo Comando do Policiamento do Interior, sediado em Curitiba, dizendo que a intervenção só poderia ser feita com uma ordem da Secretaria de Segurança Pública.
A primeira solicitação de reforço policial foi recebida pelo então comandante do 5º Batalhão, Carlos Alberto Janick, que teria dito à família do médico que não atenderia a ordens judiciais, mas apenas do seu superior, o secretário de Segurança Pública. Em maio de 1997, o então secretário Cândido Martins de Oliveira enviou uma correspondência ao prefeito da época, Antônio Belinati, pedindo um outro local para a relocação das famílias. Mas o caso também não foi solucionado.
O atual comandante do 5º Batalhão, tenente-coronel Rubens Guimarães Souza, diz que não tem conhecimento de outros pedidos de reintegração de posse com reforço policial, além dos três que pretende cumprir referentes a invasões ocorridas neste ano. Ele informa que uma ação da PM, em casos de outros terrenos invadidos, só será feita com uma nova comunicação judicial. Mas dependendo do tempo da invasão e do número de famílias, ele considera inviável a retirada dessas pessoas.''Uma negociação entre as partes e os órgãos competentes seria mais interessante'', sugere. (C.G.)

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