Josoé de CarvalhoRespostaO chefe regional do IAP, Nelson Pereira: ‘Existe uma diferença muito grande entre laudo e análise’ Uma análise ampla sobre as condições das águas dos quatro lagos que formam o Igapó, feita pela Companhia de Tratamento e Saneamento Básico de São Paulo (Cetesb), custará R$ 9.837,41. O orçamento chegou na tarde de sexta-feira à Autarquia do Meio Ambiente de Londrina (AMA), solicitado pela Comissão Permanente de Vigilância e Defesa do Igapó da Câmara Municipal, e deve ser apreciado pelos vereadores nas sessões desta semana.
Segundo informações do diretor-técnico da AMA, Mauro Maggi, foi solicitado um orçamento à Cetesb para coleta de água e sedimentos em 22 pontos, desde a cabeceira, na represa do Parque Ney Braga, até o lago 1, em frente à Associação dos Funcionários do Bamerindus.
‘‘Foram solicitados orçamentos de todos os parâmetros: demanda bioquímica de oxigênio, demanda química de oxigênio, óleos e graxas, resíduos sedimentáveis, oxigênio dissolvido, fosfato total, análise de metais pesados, até análise dos sedimentos, que irá verificar o lodo do fundo do lago’’, explica Maggi.
Toda a polêmica sobre as condições do lago surgiu com uma grande mortandade de peixes (tilápias), detectada dia 24 de outubro. No dia 30, a pedido da AMA, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) fez a coleta denominada pontual e instantânea (em apenas um ponto e uma vez ao dia). Foram feitas análises de demanda bioquímica de oxigênio, PH, temperatura, óleos e graxas, oxigênio dissolvido e bacteriologia.
Os resultados apontaram que, de maneira geral, as condições da água no dia da coleta eram boas. O resultado causou uma polêmica entre entidades que trabalham com meio ambiente. Em reunião da Comissão Permanente de Vigilância e Defesa do Igapó, no início da semana, foram feitas várias críticas à análise do IAP, o que levou a Câmara a solicitar um orçamento à Cetesb para fazer uma nova análise das águas.
Entre as críticas estão as de uma aluna do mestrado de Microbiologia na Universidade Estadual de Londrina, Luisa Maria Gonçalves Mangas Catarino, presente à reunião. Segundo ela, faltaram informações para tornar o laudo do IAP mais confiável, como número de amostragens e metodologia usadas.
As críticas e a decisão da Câmara de solicitar orçamento para fazer as análises fora de Londrina causaram ainda mais polêmica. O chefe regional do IAP, Nelson Santos Pereira, rebate os comentários de que os resultados obtidos pelo Instituto possam estar errados.
‘‘Em primeiro lugar, o IAP nunca divulgou laudo algum. Como podemos estar errados num laudo que não temos?’’ Nelson Pereira esclarece que o IAP fez apenas uma análise. ‘‘Existe uma grande diferença entre laudo e análise. Uma análise pode apenas embasar um laudo, que nada mais é que o resultado de várias análises e que tenha o parecer de um perito da área.’’
Nelson Pereira salienta ainda que em nenhum momento o IAP disse que o Igapó não está poluído. ‘‘O lago não é estático. As condições das águas no dia 24 eram diferentes das do dia 30, quando não estavam mais morrendo peixes.’’
Ele diz ainda que se a intenção da Câmara, ao fazer a análise das águas em São Paulo, for saber a causa da mortandade dos peixes, o dinheiro pago será jogado fora. ‘‘E, se for para contestar nossos resultados, teremos que fazer a coleta da água junto com a Cetesb para fazermos as mesmas análises.’’ Segundo o chefe regional, o IAP tem condições para fazer todas as análises solicitadas à Cetesb.
Nelson Pereira diz ainda que pretende questionar a aluna de mestrado Luisa Maria. ‘‘Parece-me que ela está mal-intencionada porque confude laudo com resultado de análise.’’ Ele também considera que as professoras Sônia Maria Nobre e Maria Josefa Yabe, do departamento de Química e pesquisadoras da área de Química Ambiental da UEL, erraram ao sugerir que os peixes teriam morrido por falta de oxigênio na água.
A análise do IAP apontou bom índice de oxigênio dissolvido na água, necessário para a sobrevivência dos peixes. ‘‘Se fosse esta a questão, porque só morreram tilápias?’’ A causa da morte dos peixes está sendo analisada pelo Departamento de Biologia Animal e Vegetal (BAV) da UEL. O professor Mário Orsi, do BAV, adianta que não existe a possibilidade de que os peixes tenham morrido por falta de oxigênio na água.

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