Cesarianas chegam a 80% dos partos
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segunda-feira, 13 de abril de 1998
Vânia Moreira 
Entre 70% e 80% dos partos em Umuarama são feitos através de cesariana. É um dos índices mais altos do Paraná, cuja média gira em torno de 45% e já é considerada muito alta. No Brasil, em média 30% dos bebês nascem através de cesariana. A intervenção cirúrgica é indicada somente quando o parto natural é impossível ou oferece risco para a gestante ou o feto. Em Umuarama, no entanto, a maioria das gestantes faz cesariana, mesmo quando não há necessidade.
Para tentar reduzir o índice, a Secretaria de Saúde do Município faz campanha de incentivo ao parto natural nos postos de saúde. Segundo o secretário de Saúde, Luiz Renato Azevedo, a campanha já está dando resultado. No Parque San Remo, por exemplo, das 10 mulheres que fizeram pré-natal no posto de saúde no ano passado, nove tiveram os bebês em parto normal.
O secretário sustenta que as cesarianas aumentam os índices de mortalidade infantil. A gestante que se submete a um parto com hora marcada corre o risco de ter um bebê prematuro e a prematuridade é a principal causa de mortalidade infantil no município, respondendo por 45% das mortes. De cada mil nascidos vivos, cerca de 20 morrem. O índice está caindo - em 1994, girava em torno de 30 mortes para cada mil nascimentos -, mas ainda não é o desejado. Segundo Azevedo, os médicos preferem as cesarianas porque são mais rápidas.
O ginecologista e obstetra Francisco Munhoz Del Claro diz que são as gestantes que preferem a cesariana. As mulheres estão tendo cada vez menos filhos e mais medo de enfrentar o parto, segundo ele. Nós não interferimos na escolha, porque a responsabilidade é muito grande. Se eu convenço uma paciente que quer cesária a fazer parto normal e surge alguma complicação, ela vai me culpar, defende-se. De acordo com Munhoz, a maioria dos processos judiciais por erro médico é contra obstetras.
O ginecologista também ressalta que o sistema de saúde paga pouco, o que não anima médicos e hospitais a incentivarem os partos naturais. O interesse do governo em combater as cesarianas é porque elas custam um pouco mais caro que o parto natural para o Sistema Único de Saúde.


