‘‘Lá vem o Paulo Bernardo! Quem atravessa a porta da sauna ou de um dos bares do trecho entre as Ruas Mato Grosso e Minas Gerais - tradicionais no preparo de vitaminas -, na Rua Sergipe, centro de Londrina, é Cesar Geraldo Tognin, 37 anos. Sob o alvoroço dos companheiros. Os cabelos ralos, a barba e até as feições do rosto confundem Cesar com Bernardo, o deputado federal petista.
‘‘Ontem (anteontem) fui tomar uma vitamina em um dos bares e por coincidência o Paulo Bernardo estava no outro bar, que fica ao lado. Quando eu estava saindo ele atendia o telefone celular na porta. O deputado me encarou assustado e eu fiz o mesmo. A única diferença entre eu e ele é a gordura. Nos últimos meses o Paulo Bernardo engordou bastante’’.
Paulo WolfgangNa profissão, entretanto, um faz carreira política e outro é comerciante. Cesar é dono da mais antiga tabacaria que ainda funciona na área central da Cidade, a Rei do Fumo. Localizada na Rua Sergipe, número 412, o estabelecimento pertence à família Tognin há 30 anos. Quando os Tognin vieram de Piracicaba, interior do Estado de São Paulo, para Londrina, a tabacaria já funcionava no mesmo local havia pelo menos 10 anos.
‘‘Meu pai foi o segundo dono da tabacaria. A Rua Sergipe ainda era calçada com paralelepípedos e tinha pouco comércio no trecho. Existiam mais bares e salões de cabelo. As lojas de calçados e roupas vieram depois. Eu tinha 7 anos e vinha trazer almoço para o meu pai. Acabava ficando na loja para ajudar e assim entrei no ramo’’.
O pai, Geraldo Tognin, faleceu há cinco anos. A mãe de Cesar, dona Maria Izaides Libardi Tognin, 54 anos, esnoba saúde e cumpre o papel de matriarca de uma família de cinco filhos, três deles já casados. Um deles é Cesar, que deu à dona Maria dois netos.
A Rei do Fumo, que desde os velhos tempos funciona com porta única, chegou a ter filial em Cuiabá, no Mato Grosso. Por dois anos Cesar tomou conta da loja que a família abriu no outro Estado, enquanto o pai se responsabilizava pela de Londrina. Depois veio a aposentadoria do pai e o falecimento. A filial teve que ser fechada.
Anos de experiência no ramo fizeram de Cesar um especialista no comércio de fumos. ‘‘É um ramo muito bom. Toda a minha vida trabalhei no balcão. O vendedor de tabacos tem que conhecer a mercadoria’’. É parte da profissão, por exemplo, saber que o freguês tradicional não troca a marca do produto que consome. ‘‘Quem usa fumo de corda é exigente, tem que ter sempre mercadoria de qualidade, da marca que ele usa. Se a pessoa quer Tietê (marca paulista) e eu der Arapiraca (marca de Alagoas), ela percebe’’.
Segundo Cesar, quem aprecia fumo de corda conhece o produto com base no Estado em que ele é fabricado. Alagoas é famosa pela marca Arapiraca. Goiás atende com o produto Goiano, um fumo médio. O Tietê, fabricado em São Paulo, atende três categorias de fumantes: os que gostam de fumo de corda fraco, os que consomem o produto médio e os que preferem o forte.
Cesar fuma cigarro de maço, mas como comerciante do ramo experimenta a cada nova remessa de produtos o fumo de corda. Encostado no balcão, ele segue o quase ritual dos apreciadores: picar o fumo com um canivete bem amolado, fazendo a tritura cair na palma da mão; alisar a palha e derramar sobre ela o fumo picado, e enrolar, como se o ato de preparar um cigarro de palha fosse o que de mais importante existisse no momento.
‘‘O fumo de corda é melhor para a saúde. Porque a pessoa fuma menos, o produto tem menor quantidade de química e a maioria dos que consomem fumo de corda não traga. Os nortistas, por exemplo, não tragam o fumo da marca Arapiraca, que é forte’’.
As campanhas do Ministério da Saúde contra o tabagismo, segundo Cesar, não causam prejuízo para o seu negócio. ‘‘Pelo contrário, até pessoas mais novas, que antes não frequentavam tabacarias, agora procuram produtos como fumo de corda, fumo aromatizado para cachimbo e charutos’’.
Mulheres também desprezaram o preconceito de tempos atrás e passaram a ser freguesas de lojas como a Rei do Fumo: ‘‘Por causa da influência de algumas novelas, até mulheres começaram a fumar cachimbo e charutos. Antigamente, a entrada de uma mulher em tabacaria era coisa rara. Agora, na minha loja, a maioria das pessoas que entra são do sexo feminino. Algumas compram produtos para elas mesmas. Tem aquelas que fazem compras para os maridos’’.
Cesar, o ‘‘tabaqueiro’’, nasceu em Piracicaba e de lá saiu ainda menino. Fez os estudos até o segundo grau em Londrina e até tentou vestibular, mas não conseguiu passar. Quanto à semelhança com o deputado federal Paulo Bernardo (PT) e a gozação feita pelos amigos, ele garante que aceita a brincadeira. ‘‘Ele é igual mesmo. Na campanha eleitoral para a Prefeitura de Londrina, quando ele passou pela Rua Sergipe, a semelhança era de admirar’’.


PERFIL
Nome: Cesar Geraldo Tognin
Idade: 37 anos
Destaque: tabacaria pioneira
Profissão: comerciante
Curiosidade: sósia de Paulo Bernardo
Detalhe: paixão pela atividadePaulo WolfgangSumidadeO comerciante Cesar Geraldo Tognin, na tabacaria Rei do Fumo: ‘‘Quem usa fumo de corda é exigente’’Walter Ogama

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