Você sabe onde fica o Cervejaria? Qualquer londrinense sabe explicar ou pelo menos tem uma referência, mas se o interessado for procurar o bairro no guia de endereços não vai encontrar, porque oficialmente não existe. O nome surgiu por causa da fábrica de cerveja que funcionou por mais de 50 anos na Rua Fernão de Magalhães. Hoje os barracões são utilizados por outras empresas, mas o nome permanece.
José Tondelli, 72 anos, mora no bairro há mais de 40 anos e trabalhou na fábrica de cerveja durante 30 anos. ''Era muito bom, foi muito triste ver fechar'', lembra, emocionado. Tondelli conta que começou a trabalhar na empresa com 17 anos; como morava longe, arrumou um quarto no dormitório que a cervejaria possuía. ''Só ia para casa no final de semana. Depois que casei ganhei uma casa dentro do pátio, moravam mais de 10 famílias ali.'' Alguns anos depois ele comprou uma casa em frente à fábrica, onde mora até hoje.
Segundo ele, a primeira marca produzida na cervejaria foi a Londrina Chop. ''Depois os donos venderam para a Skol. A empresa trabalhava 24 horas, era um movimento grande. Tinha até uma cooperativa onde os funcionários podiam fazer compra.'' Tondelli diz que a cerveja produzida em Londrina era muito mais saborosa por causa da água dos poços artesianos. ''Tem mais de seis aí dentro, um deles com 120 metros.''
Tondelli conta que se aposentou trabalhando na fábrica, que fechou depois que foi comprada pela Brahma.
Levino Salvador Garcia, 61 anos, também tem boas lembranças da época da cervejaria. ''A gente trabalhava bastante, mas era muito bom. A empresa tinha mais de 400 funcionários, depois com a compra de máquinas novas foi diminuindo.'' Ele trabalhou por mais de 17 anos na fábrica e hoje é vigia do prédio.
Garcia conta que , entre outras coisas, aprendeu a beber cerveja naquela época. ''Era de graça e os colegas ficavam insistindo até que experimentei. Até hoje tomo uma cervejinha na hora do almoço''. Segundo ele, na época do fechamento da fábrica a população ficou muito brava e fez um boicote deixando de tomar Skol. ''A cerveja feita aqui era muito mais saborosa.''
No comércio é possível encontrar estabelecimentos que ainda trazem referência à empresa, como o Lava-rápido Cervejaria e o Auto Posto Cervejaria que funcionam em frente à antiga fábrica. Luiz Aranda, atual proprietário do posto, diz que mesmo depois de quase 20 anos - a empresa fechou em 1989 - a fábrica ainda serve como referência. ''Basta dizer que é perto da antiga cervejaria que todo mundo sabe. O nome ficou como marca do bairro.''
De acordo com a arquiteta Cristiane Biazono, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), a rua Fernão de Magalhães, onde ficava a fábrica, na verdade divide três bairros: o Aeroporto, o Jardim Vera Cruz e o Jardim Graziela. No local exato da cervejaria, o bairro é mesmo o Aeroporto.

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