Cerveja sem álcool na lei seca
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sexta-feira, 08 de agosto de 2008
Fernando Rocha Faro<BR>Reportagem Local 
A Lei Seca provocou mudanças nos hábitos dos brasileiros. Quem era acostumado a tomar uma cervejinha no fim do expediente antes de voltar para casa precisou repensar a rotina. Tudo por causa das punições mais rigorosas e do risco de ser flagrado pelo bafômetro.
A cerveja sem álcool, então, passaria a ser uma alternativa natural para quem não tem outra opção a não ser tomar o volante para ir embora. Mesmo que alguns admitam que a saída é viável ainda tem gente que considera que optar pelo produto é o mesmo que ''chupar bala com o papel.''
Mas não é isso que pensa a dona de casa Marlene de Souza, 63 anos. Acostumada a consumir a cerveja sem álcool, ela garante a volta da família para casa em segurança depois do happy hour num tradicional bar da cidade. ''Sempre tomei a sem álcool'', revela.
O genro Rosinaldo Vieira da Silva, 39, brinca que Marlene passou a ser mais requisitada após a Lei Seca. Mas garante que é favorável à restrição para a combinação entre álcool e direção. Ele ressalta que não teria problemas em consumir a cerveja sem álcool. Mas, é claro, se precisasse voltar dirigindo para casa. ''Quando tive um problema de saúde tomei a sem álcool sem problemas. Não é tão difícil adaptar-se.''
Os pintores Francisco de Melo Campos, 31, e Daniel Maximiano, 35, disseram que não teriam problema em deixar a cerveja tradicional de lado. Mas escolheram outra opção para respeitar a Lei Seca: voltar para casa de ônibus. ''Até tomo a sem álcool, mas a boa é essa aqui'', enfatiza Campos, apontando a garrafa de ''loira gelada'' sobre a mesa. Segundo eles, a cerveja sem álcool é uma boa alternativa, mas só quando estiverem ''doentes.''
Fabricação
Os processos de fabricação da cerveja comum e do tipo sem álcool são semelhantes. Quem ensina é o meste cervejeiro José Di Pietro Júnior, que trabalha numa fábrica na Zona Sul de Londrina. O resultado é que os sabores são bastante parecidos, mas as diferenças podem ser notadas por especialistas. ''O paladar da cerveja sem álcool é muito semelhante ao da cerveja com álcool, mas o bom apreciador pode perceber com facilidade um suave gosto final de mosto.''
No Brasil, a primeira cerveja com baixo teor alcóolico foi lançada em 1991. A legislação nacional, explica o mestre cervejeiro, determina que a cerveja com teor inferior a 0,5% é considerada sem álcool. O produto com álcool tem de 3% a 5%.
Os dois tipos passam pelas mesmos processos: fabricação do mosto, fermentação, maturação, filtração e envase. A feitura do mosto consiste na mistura de malte moído (cevada que passa pelo processo de malteação) com água cervejeira. A fermentação é a transformação dos açúcares fermentáveis do mosto, através da levedura, em álcool, gás carbônico e energia. É nesta etapa que surge a grande diferença entre a cerveja com e sem álcool. No caso da sem álcool, a fermentação é interrompida antes que o valor de álcool permitido pela legislação seja atingido.
As próximas etapas são a maturação, usada para aprimorar o paladar do produto, e filtração, que serve para dar um ajuste final. Depois, só resta o envase.


