O processo de certificação do Hospital Universitário (HU) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), como hospital de ensino, fornecido pelos Ministérios da Saúde e da Educação, está suspenso até que a instituição solucione problemas relacionados à residência médica. O principal deles é a falta de pessoal, como anestesistas, para procedimentos médicos e docentes para acompanhamento dos residentes. O diretor-superintendente do HU, Francisco Eugênio Alves de Souza, declarou que o aumento de investimentos anunciado pelo governo estadual deve ser suficiente para manter a certificação.
''O problema é que o HU pode demorar mais para ser certificado'', salientou Francisco Eugênio. Uma possível falta de certificação poderia resultar em uma redução no repasse de verbas, o que agravaria ainda mais os problemas financeiros da instituição. ''A nossa esperança e a promessa do governo é que a questão salarial também seja alterada'', acrescentou. Atualmente, o hospital ainda sofre com falta de anestesistas. Os últimos concursos não tiveram candidatos suficientes, afastados devido aos baixos salários. O objetivo da direção do hospital é, ''se possível'', fazer as contratações através de concurso público, em vez de teste seletivo.
A falta de condições de aprendizado motivou em outubro um protesto organizado pela Associação dos Médicos Residentes de Londrina (Amerel). O intuito foi pedir aumento no investimento na infra-estrutura, manutenção e pagamento de pessoal do hospital. De acordo com o presidente da entidade, Fuad Salle Neto, a estrutura humana e física está deficiente e afeta o ensino. Como exemplo, ele cita a ausência de professores para supervisão de procedimentos em ''certas áreas.'' Ele destaca, no entanto, que a situação é reversível, desde que o hospital faça as adequações necessárias. ''São pontos cruciais, como alunos sem supervisão, mas que podem ser superados'', declarou.
O diretor-clínico do HU, Sinésio Moreira Júnior, afirmou que o suposto risco de descredenciamento da instituição era um ''boato plantado.'' ''Na verdade, a comissão solicitou alguns ajustes que não ameaçam o status de hospital de ensino. E são ajustes fáceis, que requerem adequação de recursos humanos'', explicou.
A coordenadora do internato médico Margarida de Fátima Fernandes Carvalho explicou que uma possível falta de certificação atingiria principalmente os residentes dos próximos anos, que poderiam ser afetados pelo possível corte de verbas. O resultado, segundo ela, seria uma queda na qualidade da formação dos profissionais da área médica da UEL. ''E eu quero, como todo mundo, ser atendida sempre pelos melhores profissionais'', salientou.
As visitas do Comitê de Residência Médica (Coreme) servem também para definir metas de qualidade para a instituição, como melhorias na biblioteca do curso de medicina, por exemplo. De acordo com Francisco Eugênio, a suspensão atingiu, além do HU de Londrina, cerca de dez instituições no País.

mockup