Cerimônia do lava-pés emociona presos da PEL
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quinta-feira, 05 de abril de 2007
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
''Te amarei Senhor! Te amarei Senhor! Eu só encontro a paz e alegria bem perto de ti''. Foi entre cânticos como esses que cerca de 150 presos da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) assistiram, emocionados, a cerimônia do lava-pés realizada na manhã de ontem por integrantes da Pastoral Carcerária. Representando os 12 apóstolos de Jesus, 12 detentos tiveram os pés lavados pelo padre Jairo Garcia, assessor da pastoral.
Olhares atentos e curiosos revelavam o interesse em compreender as mensagens proferidas pelo padre. Entre uma canção e outra, alguns presos nem mesmo precisaram da letra, e acompanharam a cerimônia cantando, alegres, por detrás das grades.
A cerimônia, que se repete todos os anos nas igrejas católicas, lembra quando Jesus pediu para que os apóstolos seguissem o seu exemplo de humildade. Segundo o padre Jairo, o ritual do lava-pés é o símbolo do serviço, da doação e da humildade. ''A cerimônia lembra quando Jesus lavou os pés dos seus discípulos no dia da última ceia. Aqui na penitenciária, o ritual também tem um caráter de conversão onde cada um deles tem a oportunidade de refletir e através da sua fé, ser renovado'', comentou
Emocionados com o ritual, enquanto tinham seus pés lavados, alguns presos mantinham os olhos fechados e falavam em voz baixa, consigo mesmos, como se vivessem um momento de recolhimento e reflexão.
''A maior prisão é aquela que está no coração'', disse o padre aos detentos que assistiam a cerimônia. Na passagem do livro de João, capítulo 13 da Bíblia Sagrada, as palavras explicam o motivo do evento, ''Então, Ele se ajoelhou diante de cada um de seus discípulos e começou a lavar-lhes os pés, em uma atitude de humilhação, fraqueza, súplica e submissão''.
Atualmente, a PEL conta com cerca de 600 presos. Segundo alguns agentes penitenciários, as atividades religiosas dentro da PEL sempre ''fazem bem'' para os detentos, que acabam melhorando seus comportamentos. A Pastoral Carcerária atua na PEL toda semana com missas, além de realizar outros trabalhos em dias especiais.
Depois da cerimônia, o padre jogou água benta sobre todos que estavam presentes e encerrou a cerimônia entre cânticos cantados pelos próprios presos. ''A palavra de Deus faz essa ação se transformar num ato de humildade'', encerrou padre Jairo.


