Cerimônia comunitária une 93 casais
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sábado, 22 de novembro de 1997
Lucinéia Parra 
Maringá
Marcos NegriniLotadaUma longa fila de casais se formou do lado de fora: organização foi fundamental para abrigar todos na igrejaNoventa e três casais subiram ao altar da Igreja Matriz de São João Maria Vianey-Santo Cura dArs, em Paiçandu (10 km de Maringá) para o primeiro casamento comunitário realizado na cidade anteontem, a partir das 18h30. A maioria dos casais já vivia junto há dois, três ou dez anos, mas por falta de condição financeira e até mesmo por comodismo, não se casaram nem na igreja e nem no civil. Para regularizar a situação deles, o padre Ângelo Banque não pensou duas vezes e promoveu as duas cerimônias na própria igreja.
O casamento comunitário chamou a atenção de moradores da cidade, que lotaram a igreja durante a cerimônia. Os convidados e padrinhos também eram maioria. Estou achando maravilhoso porque é uma oportunidade que o padre está dando para que os casais tenham a benção de Deus, disse a aposentada Encarnação Sanches, 72 anos, amiga de vários dos 93 casais. A dona-de-casa Maria Aparecida Ferreira, achou o casamento muito bonito e na opinião dela só faltou mesmo que todas as noivas entrassem de branco na igreja.
Marcos NegriniArlindo e AntoniaNovo casamento após a viuvez de ambos
O casal mais jovem que participou da cerimônia foi Eduardo de Assis, 19 anos, e Cristiane Rocha, 16 anos. Já o casal mais velho que aproveitou a oportunidade foi o aposentado Arlindo Guidelli, 80 anos, e Antônia Cefalo de Moraes, 70 anos. Arlindo e Antônia são viúvos e se conheceram há cerca de um ano. Há cinco meses, Antônia mudou-se de Maringá para morar junto com Arlindo em Paiçandu. Anteontem, decidiram firmar os laços do casamento na cerimônia organizada pelo padre Ângelo Banque. Aproveitamos a oportunidade porque é sempre bom a gente ter a benção de Deus, explicou Antônia.
Poucas noivas optaram pelo tradicional vestido branco, mas esta não foi a única diferença do casamento comunitário. Jovem e mãe, a dona-de-casa Josilene Aparecida Honorato Dias, 17 anos, entrou na igreja com o filho Jonathan Willian Honorato Dias, de três meses, no colo. Vou entrar com ele porque senão ele vai chorar e não vou conseguir ficar tranquila, disse Josilene. Ela se casou com Luciano Aparecido Dias, 20 anos. Mas o casal já vive junto há nove meses. Só éramos casados no civil porque o custo com o casamento na igreja é muito alto. Com tudo de graça, estamos aproveitando a ocasião, justificou Luciano.
Josilene e LucianoCasamento após nove meses de convivência e um filho
Visita do papa Dos 93 casais que se casaram anteontem, apenas 32 estavam com a situação regularizada no cartório civil. Os outros 61 casais viviam juntos mas não tinham se casado nem na igreja e nem no civil. É um dado muito significativo que mostra o pouco caso das pessoas em relação ao casamento e à família, avalia o padre Ângelo Banque. Ele decidiu fazer o casamento comunitário após a visita do Papa João Paulo II ao Brasil, no mês passado.
O Papa nos passou a mensagem que devemos preservar a família. E a família começa pelo casamento. Conforme Banque, as famílias estão se esfacelando pela falta de diálogo e pela falta de Deus. Ele afirmou que os 93 casais fizeram um curso de dois meses de preparação para a vida espiritual. Eles participaram de grupos de reflexão e prometeram que vão continuar as atividades cristãs depois do casamento, explicou o padre. Segundo ele, o casamento comunitário para pessoas de baixa renda será realizado pelo menos uma vez ao ano. Em 98, a expectativa é de que o casamento seja realizado em julho.


