Cereal fica sem luz por falta de pagamento
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quarta-feira, 09 de março de 2005
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Cerca de 30 artesãos que trabalham no Centro de Referência do Artesanato de Londrina (Cereal), na Avenida Rio de Janeiro (Área Central), tiveram que fechar as portas de seus boxes mais cedo ontem por causa da falta de luz. A energia do local foi cortada no início da tarde por falta de pagamento. Segundo a atual presidente do Centro, Castorina de Oliveira, o problema estaria na diretoria anterior, que não prestou contas devidamente. ''Mesmo com o nosso projeto aprovado, a prefeitura não pode liberar as verbas para pagamento das despesas'', informou.
Castorina diz que foi comunicada sobre o corte de energia pela Companhia Paranaense de Energia (Copel) na semana passada. ''Entramos em contato com a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), que ficou de tentar um contato com os representantes da diretoria anterior. Já me avisaram que o problema está sendo resolvido'', disse a presidente, no meio da tarde.
No dia 1º de fevereiro a CMTU enviou notificação extrajudicial, endereçada à Associação dos Trabalhadores Artesanais de Londrina (Atal) e Associação Democrática de União e Valorização da Mulher Cristã, que até o final do ano passado recebiam os recursos em nome do Cereal, informando que não haviam sido comprovadas despesas relativas ao capital repassado em 2004. De acordo com o documento, foram repassados R$ 173.438,39 e comprovados gastos que somam R$ 168.006,13, o que resultou em uma diferença de R$ 5.432,26. A Folha tentou fazer contato com os responsáveis pela diretoria anterior, mas nenhum deles foi localizado.
''Este é um projeto de geração de renda de pessoas honestas. Assim que tudo isso se resolver, a primeira coisa que vou fazer é cortar da associação os responsáveis por estes problemas, que só nos prejudicam. Estamos tentando levantar este Centro'', argumentou Castorina. Em novembro do ano passado uma das artesãs foi baleada por um funcionário de um dos boxes, prejudicando as vendas que, segundo os artesãos, já andavam fracas.
Ontem à tarde apenas os 15 boxes mais próximos da entrada permaneceram abertos. A artesã Marina Peres, que vende bolsas e cintos, insistiu em não baixar a porta, mas não conseguiu vender uma peça sequer. ''Está tudo escuro, não tem condições. Se com luz as vendas já estão ruins, imagina deste jeito.'' Segundo a artesã, ultimamente são comercializados no máximo R$ 30,00 por dia. Marina disse não ter sido informada da possibilidade de corte de energia.
O diretor administrativo financeiro da CMTU, Augusto Ermétio Dias Junior, afirmou que os problemas na liberação de verbas foram causados por atraso na apresentação de documentação referente à prestação de contas do ano de 2004. ''Mas as contas já foram apresentadas e tudo está sendo solucionado'', garantiu. Pouco depois das 17 horas, a energia foi religada nos 54 boxes que fazem parte do Centro.


