Cereal ainda luta para melhorar movimento
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terça-feira, 23 de dezembro de 2003
Cláudia Barberato<br> Reportagem Local 
Instalados há pouco mais de um mês no Centro de Referência do Artesanato de Londrina (Cereal), no centro da cidade, os artesãos, que antes comercializavam suas mercadorias nas praças, estão divididos em relação ao novo local de vendas. Mesmo a possibilidade de vender mais neste período, que antecede ao Natal, não anima alguns dos comerciantes.
A presidente do Cereal, Neuza Alves Ferreira, tem pedido aos lojistas um pouco de paciência até que o local se torne um ponto de referência na venda de artesanatos. Uma equipe de pessoas que junto com ela está administrando o Cereal tem planos para divulgar melhor o local, promovendo eventos para atrair maior número de consumidores.
Mesmo assim, desanimada com as vendas atuais, Márcia Maria Ferreira, instalada num dos 57 boxes do Cereal, garante que se os próximos dias não forem de bom movimento, vai desistir. ''Tenho gasto com ônibus e alimentação e não consigo vender nem R$ 10 por dia,'' desabafa.
O vendedor de cintos e bolsas Luiz Carlos Alves da Silva é outro que está desestimulado: ''no Calçadão a gente era ponto de referência.'' Segundo ele, que vendeu suas mercadorias na praça Floriano Peixoto por mais de 10 anos, ali era possível vender uma média de 15 cintos por dia. Hoje não consegue vender mais do que três ou quatro unidades. ''As pessoas que vinham ao Centro da cidade sempre acabavam parando nas barracas. Aqui, fica mais difícil, elas acabam parando mesmo nas lojas do Calçadão.''
Para os artesãos, a queda de 50% a 80% nas vendas verificada desde a mudança para o novo local não deverá ser revertida no Natal. ''Tem gente aqui que não vende R$ 1 por dia. Falta informação, divulgação, para atrair o consumidor'' reclama Luiz Alves.
Deonice Messias, outra colega de box, calcula que o movimento caiu 80%. ''No Calçadão, onde fiquei 23 anos, vendia uma média de 30 a 40 bolsas por dia. Hoje vendo meia dúzia,'' reclama. A expectativa, segundo ela, é que a partir de amanhã o movimento no local melhore já que a prefeitura ''prometeu'' inserir propaganda em rádios, tvs e distribuir planfletos pela cidade para atrair consumidores.
Entre os lojistas que estão instalados na entrada do Cereal, Alexandre Souza é um dos poucos que se mostra satisfeito. No início, em novembro, quando os artesãos saíram da praça para se instalar no Cereal, segundo Souza, o movimento caiu demais. ''Agora está melhorando,'' revela. Para Souza, as vendas devem melhorar e a mudança foi positiva: ''A vantagem é não ter que enfrentar sol, chuva, montar e desmontar barraca.''


