ALTÔNIA - Quarenta homens da Polícia Militar estão se revezando diariamente na barranca do rio Paraná, entre os municípios de Vila Alta e Altônia (74 quilômetros a sudoeste de Umuarama), para evitar que criadores retornem com o gado para o arquipélago de Ilha Grande. Pelo menos cinco mil bovinos foram retirados às pressas das ilhas no final de janeiro devido a cheia do rio, a maior dos últimos anos.
No início do mês passado o criador Alfredo Carlos Berbert conseguiu furar o cerco mantido por cinco policiais próximo ao rio e transportou 600 animais de volta para a Ilha Grande, a maior do arquipélago. A balsa usada por Berbert foi apreendida uma semana depois pela Marinha, em Guaíra, e deve ficar parada por 120 dias. No último domingo, os policiais recolheram 150 animais que conseguiram driblar a cheia nos pontos mais altos das ilhas.
Pelos cálculos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), pelo menos outros 500 animais continuam irregularmente no arquipélago. A multa estipulada pela justiça para o criador que desobedecer ao acordo é de R$ 500/dia por cabeça. Mas a multa ainda não pode ser cobrada porque as ações contra os fazendeiros não esgotaram a possibilidade de novos recursos.
O policiamento faz parte de um acordo entre Ministério Público, Área de Proteção Ambiental (Apas) e IAP. Os 40 policiais devem permanecer nas margens do rio até o próximo dia 5, mas o prazo, segundo o subcomandante do Batalhão da PM em Cruzeiro do Oeste, major Avelino José Novakoski, pode ser prolongado. A equipe também está fazendo o patrulhamento dentro do rio. Todos os pescadores em situação irregular estão tendo o material apreendido.
O gado é considerado o maior inimigo do arquipélago de Ilha Grande, a segunda maior fluvial do país, com uma área de aproximadamente 70 mil hectares. Desde que o gado começou a ser criado nas ilhas, pelo menos 80% da mata nativa do local foi devastada para dar lugar às pastagens.
Nativos O gado também espantou os moradores nativos, que negociaram as posses e passaram a trabalhar como bóias-frias no continente. A situação dos animais passou a ser classificada juridicamente como irregular em 1994, com a criação das Apas nos municípios de Vila Alta, Icaraíma, São Jorge do Patrocínio e Altônia.
Em 95, parte da ilha foi elevada à Estação Ecológica pelo governo do Estado, o que permitiu a liberação imedata de recursos do ICMS Ecológico. Só no ano passado esses quatro municípios receberam cerca de R$ 1 milhão para investimentos no meio ambiente.

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