Não importa o credo ou a religião. A preocupação com a transmissão da dengue fez com que mais de 50 lideranças religiosas em Londrina se reunissem ontem pela manhã para discutir como combater o mosquito Aedes aegypt, transmissor da doença. A cidade confirmou na última segunda-feira mais dois casos importados de Goiás e Mato Grosso. Eles se somam a outro caso de Goiás e um do Maranhão, totalizando quatro casos de dengue na cidade. Só este ano foram 130 notificações, sendo que 43 deles foram descartados depois de realizados exames no Hospital Universitário (HU) e no Laboratório Central (Lacen), em Curitiba.
Para as autoridades da Sa© úde, a participação das religiões é fundamental, por ser um setor de forte mobilização. As igrejas poderão distribuir uma carta de alerta sobre a doença, ou mesmo divulgar a carta em site, jornais e nos próprios murais.
Católicos, evangélicos, mórmons, budistas, espíritas e representantes da igreja Perfect Libert e Associação Brasil Soka Gakai estavam presentes na reunião de ontem. Diferenças de crenças, mas um único ideal: manter a vida, considerada por todos o dom mais precioso do ser humano. O discurso foi comum e vontade de obter bons resultados também. O que difere é a forma de trabalho que será desenvolvida por cada grupo.
Para o bispo auxiliar da Arquidiocese, dom José Lanza Neto, ''a idéia é conscientizar os líderes das igrejas para que cada um encontre a forma exata para conscientizar a comunidade''. Ele ressalta que apesar da população já ter conhecimento do que deve ser feito, é preciso sempre lembrar. ''Se não formos alertados, perdemos a sensibilidade.''
Para o presidente do Conselho de Pastores de Londrina, Edson de Oliveira Filho, a necessidade é de caminhar juntos nas ações. ''Quando a comunidade ouve um líder, é mais imbuída de responsabilidade para fazer a coisa certa. Além disso, a responsabilidade de combater a doença é um dever de cada um de nós.''
Representante da Igreja Só o Senhor é Deus, Milton Francisco fala da importância de participar da campanha. ''Vamos reunir os líderes dos bairros, repassar as informações e orientar a comunidade também nos cultos'', disse. Ele afirmou que cerca de 400 pessoas ligadas à igreja serão atingidas pelo trabalho.
Para o pastor Ailton de Souza, representante da 2Igreja Presbiteriana do Brasil, o desafio é maior. A igreja, que tem a sede na Vila Nova (Zona Oeste), região mais afetada pelo problema, já está combatendo a infestação do mosquito há mais de um mês. Um grupo de 20 pessoas, integrante da Rede de Jovens, está batendo de casa em casa, distribuindo panfletos que alertam sobre a dengue. ''Estamos aproveitando a visita nas casas, onde distribuímos a Bíblia, para alertar as pessoas sobre os cuidados que devem tomar''.
O trabalho é feito por jovens uniformizados, que já conseguiram visitar 4.500 casas, só na Vila Nova. Outros oito mil folhetos já estão sendo distribuídos na Vila Recreio e no Jardim do Sol. ''Estamos prontos para ajudar no que for preciso''.

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