O grito do bugio faz os ouvidos da mata escutarem o primata a dois quilômetros de distância, sendo um dos mais impressionantes do mundo. Se o silêncio de um bando fizer barulho, o trabalho pioneiro em vigilância à febre amarela, através do estudo de comportamento dos macacos, não permanecerá surdo às evidências de uma epizootia - a morte de vários animais ao mesmo tempo, alerta vermelho de uma epidemia.
Apesar de Porto Rico (95 quilômetros a Noroeste de Paranavaí) estar localizado numa área de transição, os moradores e turistas imunizados não correm risco de ter a doença.
Recomendada principalmente aos que viajam para regiões de risco, a vacina é bastante eficaz, podendo ser tomada gratuitamente em qualquer Unidade Básica de Saúde (UBSs).
Todos os moradores do município são vacinados contra a febre, e a brisa do Rio Paraná também traz das ilhas a notícia de que, entre os 70 primatas capturados pelo trabalho de vigilância, não foi encontrado o vírus da forma silvestre.
Mas a Ilha Mutum olha para o rio, lembrando da morte inexplicável de bugios. É para esse território dominado pelos primatas que nós vamos em busca de explicações com os biólogos Gabriela Ludwig e Lucas de Moraes Aguiar.
Conhecemos o casal de namorados rapidamente no continente, antes que o rio os chamasse para a pesquisa, que está na metade do caminho. Quase uma hora e meia de totó pelo Paranazão na manhã seguinte, reencontramos os dois na mata da Mutum.
Eles passaram a noite alojados num clube de pesca. Gabriela é mestranda em Zoologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), defendendo tese sobre ''Área de Vida e Uso do Espaço pelo Alouatta caraya (bugio) - em Ilha e Continente no Alto Paraná''. Lucas também faz mestrado na instituição com o tema ''Censo de Primatas em Ilhas e Matas Ciliares - Porção alto do Rio Paraná''.
Por afluentes diferentes da pesquisa, cada um dos dois pretende chegar na mesma foz, onde se encontrarão todos os resultados para afirmar ou não se o macaco é o passageiro do corredor de febre amarela silvestre, levando no organismo o vírus que pode chegar à cidade numa epidemia urbana.
Abrindo clareiras para outros pesquisadores do projeto, o casal conhece pelo menos 13 ilhas da região, que já foram geo-referenciadas para o trabalho de pesquisa. ''Nós escolhemos os grupos alvos de captura, a área para ser colocada as armadilhas e o esforço necessário de ceva'', explicou Lucas. (Continua na página 3)

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