Cerci saiu poque fazia sombra a Faria, dizem funcionários
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terça-feira, 01 de abril de 1997
Da Sucursal 
Aquivo FolhaMário Sérgio Cerci, ex-diretor do Hospital de Clínicas: Muita gente sugeriu que me candidatasse a reitorA exoneração do cardiologista Mário Sérgio Cerci da diretoria do Hospital de Clínicas da UFPR, anunciada segunda-feira, esconde fatores que vão além da crise financeira do HC. Nos comentários de professores, funcionários e até alunos da universidade, o assunto é tratado no contexto da sucessão do reitor José Henrique de Faria, que há tempos vinha disputando espaço com Cerci.
O diretor afastado do HC não é apontado diretamente como candidato a reitor em 1998. O próprio Cerci disse ontem que tem recebido de muita gente a sugestão para postular o cargo, mas descartou essa possibilidade. O nome dele entra na equação sucessória pelo destaque que ganhou a partir do momento em que a sociedade se mobilizou para salvar o HC.
Mesmo sem ser candidato, Cerci tem peso por pertencer ao Setor de Ciências da Saúde, o que tem mais professores na UFPR. Uma mudança recente nas regras para eleição de reitores atribui peso maior ao voto dos professores, em relação ao de funcionários e estudantes.
Um professor que trabalhou na campanha de Faria à reitoria diz que o reitor tem esperança de se reeleger: Faria torce pela aprovação da emenda da reeleição de FHC e vai lutar para estender isso às universidades.
Faria já havia feito uma intervenção no HC em 96. Ele substituiu os diretores administrativo, financeiro e de recursos humanos, indicados por Cerci, por nomes de sua própria confiança. Cerci disse ontem que essa troca o pegou de surpresa, assim como a exoneração do cargo de diretor, anteontem. Ele afirmou que só ficou sabendo da decisão do reitor cinco minutos antes da reunião do Conselho Universitário, na qual eu apresentaria um plano de reestruturação do HC. A reunião acabou cancelada por Faria, que comunicou o afastamento como uma decisão pessoal.
Cerci evitou críticas diretas a Faria. Disse apenas que não esperava a decisão do reitor e que não se considera responsável pela crise do HC: Por qualquer critério de análise de produtividade, o HC está entre os quatro primeiros do Brasil. Vivemos uma crise estrutural.


