Consternados com a morte trágica do estudante Victor Hugo Ferreira Silvestre, de 15 anos, na noite da última sexta-feira, colegas e moradores do Distrito de Lerroville (60 km ao sul de Londrina) realizaram um protesto ontem pela manhã em frente à Escola Municipal Professor Bento Munhoz da Rocha Neto. O adolescente morreu eletrocutado na noite da última sexta-feira ao encostar em uma cerca eletrificada irregularmente erguida sobre o muro do colégio. Para tentar descobrir quem teria autorizado a ligação, a Secretaria Municipal de Educação instaurou ontem uma comissão de sindicância. A Polícia Civil também começa a tomar os primeiros depoimentos, na próxima quinta-feira.
Segundo a Polícia Militar de Tamarana, o protesto de um grupo aproximado de 150 pessoas entre familiares, moradores e estudantes amigos de Victor Hugo foi pacífico. Eles permaneceram por mais de uma hora em frente ao colégio empunhando faixas e pedindo justiça. Em sinal de luto, as aulas foram suspensas e só serão retomadas amanhã. Numa reunião ontem à tarde da secretária com pais de alunos ficou decidido que a cerca será retirada hoje e que o muro da escola será pintado. ''Nessa reunião, decidimos tirar todos os vestígios que provoquem essa lembrança triste nas crianças'', comentou Carmen.
Ontem, a secretária municipal de Educação, Carmen Sposti, determinou a formação de uma comissão de sindicância constituída por três servidores um da própria Secretaria de Educação, outro de Gestão Pública e um terceiro da Procuradoria Geral do Município. Eles terão um prazo de 30 dias para apresentar o resultado da investigação.
Carmen reafirmou que nenhuma escola municipal tem cercas eletrificadas, que a secretaria não tinha conhecimento do fato na unidade de Lerroville e que desconhece se a iniciativa partiu de alguém ligado à escola. Segundo ela, funcionários das secretarias de Educação e de Assistência Social devem visitar a família do estudante para colocar a administração municipal à disposição.
Já na Polícia Civil, o delegado do 6º Distrito Policial, Algacir Ramos, vai ouvir o diretor do colégio, Renilson Machado do Nascimento, na quinta-feira à tarde. No sábado, ele afirmou à Folha que estava de licença e que nunca autorizou a eletrificação da cerca. Segundo a Secretaria, ele será substituído interinamente na direção pelo vice-diretor, Davi Pereira. Além de Nascimento, também serão ouvidos esta semana um ex-diretor, um vigia que teria feito a ligação e dois adolescentes que acompanhavam Victor Hugo no momento do acidente.
A cerca eletrificada irregularmente ficava no muro que separa a escola do Posto de Saúde do distrito. O fio foi ligado diretamente do relógio de eletricidade da escola ao arame farpado da cerca. O estudante foi eletrocutado ao encostar na cerca para chamar um colega que estava dentro de uma sala de aula. Logo depois do acidente, o fio foi desligado do arame.

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