Cerca de 40% do lixo que vai para o aterro de Londrina é orgânico
Presença de resíduos que não são rejeitos diminui tempo útil das valas; solução está no descarte correto do lixo destinado à coleta pública
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de agosto de 2022
Presença de resíduos que não são rejeitos diminui tempo útil das valas; solução está no descarte correto do lixo destinado à coleta pública
Micaela Orikasa - Grupo Folha 

A missão de preservar a vida útil do aterro sanitário de Londrina não é tarefa fácil e depende de esforço e conscientização coletivos. É fundamental aliar políticas públicas com estudos direcionados e informação. É através dela que muitos resíduos que não são rejeitos deixarão de chegar à CTR (Central de Tratamento de Resíduos), que fica no distrito de Maravilha, na zona sul de Londrina.
A área de 30 alqueires possui cinco valas (células) cheias e, desde agosto de 2021, abriu uma sexta para receber as 412 toneladas de lixo diário que chegam no local de segunda a sábado, carregadas por 19 caminhões que fazem a coleta pública no município, incluindo distritos, patrimônios e vilas rurais.
Um dos estudos apresentados no PMGIRS (Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos), instituído por meio da Lei nº 13.438, de julho de 2022, é o relatório de gravimetria, em que constatou-se que das 412 toneladas diárias de lixo destinadas ao CTR, 40% são matéria orgânica; 19% são plástico; 8% são outros tipos de materiais, com destaque para resíduos de espuma; 7% de têxteis; 6% de papel; 2% de papelão e 1% de vidro, isopor, metal, resíduos de construção e demolição. A amostra foi coletada entre os dias 29 de junho a 4 de julho de 2020.
De acordo com o levantamento, no grupo de matéria orgânica, “havia grande presença de palhas e sabugos de milho, compreensível pela época agrícola e cultural do ano em que há maior produção de alimentos à base de milho verde. Também havia grande presença de folhas de árvores secas, devido ao período de renovação biológica das árvores, e de folhas verdes, provavelmente em decorrência de podas de jardinagem que são feitas no período de dormência das plantas para que apresentem brotos vigorosos na primavera”.
No grupo do plástico foram encontrados muitos sacos de acondicionamento de lixo, sacolas de supermercados, frascos de PET e invólucros de alimentos.
NOVO CICLO PRODUTIVO
“Um dos principais problemas é que destinar quaisquer outros resíduos que não sejam rejeito para o aterro diminui o tempo útil das células. Há um sistema operacional complexo e de alto custo que poucos conhecem. E, justamente por isso, muitos resíduos que deveriam ser recolocados em novo ciclo produtivo, para gerar novos produtos, infelizmente são encaminhados para a CTR”, ressalta a geógrafa e servidora da Gerência de Educação Ambiental da Sema (Secretaria Municipal do Ambiente), Mariza Pissinati.
Cada vala foi programada para durar quatro anos e meio, a partir de sua abertura. Ao receber os resíduos diários, a célula em atividade é coberta por terra no fim de cada dia. Ao ser finalizada, ela será aterrada e uma nova será cavada, sempre com impermeabilização para evitar a contaminação do solo e da água.
LIXO ORGÂNICO NÃO É REJEITO
O rejeito é o lixo que não pode ser reaproveitado, como papel higiênico, fraldas usadas, materiais sujos de óleo de fritura, entre outros. "O lixo orgânico não é rejeito e, por lei, não deveria ir para o aterro e sim voltar para o ciclo reprodutivo, por meio dos métodos mais utilizados, que são a compostagem ou a biodigestão, processo fermentativo semelhante à compostagem, porém, muito caro, pois demanda uma planta para instalação e equipamentos", afirma a geógrafa.
LÂMPADAS E PILHAS
Outros resíduos que não devem ser descartados junto ao lixo comum são lâmpadas, pilhas e eletroeletrônicos. Estes devem ser encaminhados para pontos de coleta de logística reversa. “Existem substâncias emitidas por esses tipos de resíduos que não têm como ser retiradas em sua totalidade da água, mesmo com o tratamento. E isso acaba indo para a água que bebemos", informa a geógrafa da Sema. Além disso, quanto mais difícil esse tratamento, mais caro fica.”
Pílulas e demais restos de medicamentos, quando descartados na coleta comum, também são exemplos de substâncias que, muitas vezes, não é possível retirar completamente, e acabam voltando para a água que será consumida.
OFICINAS DE COMPOSTAGEM
Mariza Pissinati, geógrafa da Sema, diz que o trabalho de destinação correta de todos os resíduos demanda investimentos e cada município vem trabalhando por etapas. “Surgiu o trabalho dos recicláveis, com as cooperativas que fazem a coleta, depois passamos para a logística reversa e agora estamos começando a trabalhar mais intensamente com os orgânicos, a partir da compostagem que é a metodologia mais viável”, afirma.
No mês de maio, os servidores da Sema participaram de uma oficina de compostagem doméstica ministrada por alunos da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná). A ideia é replicar as técnicas para grupos interessados, sensibilizando a população sobre a importância da compostagem.
Na quarta-feira (31), a Sema realizará uma oficina no CCI (Centro de Convivência da Pessoa Idosa) com o apoio dos estagiários da Comissão de Gestão de Resíduos Sólidos da UTFPR Londrina. A professora desta Comissão e do Departamento Acadêmico de Ambiental da Universidade, Tatiane Cristina Dal Bosco, explica que as oficinas contemplam uma abordagem sobre a importância e as vantagens do tratamento da fração orgânica dos resíduos sólidos domiciliares.

“Os participantes aprendem a técnica da compostagem, como ela funciona, quais resíduos podem e não podem ser compostados, quais os cuidados necessários no manejo das composteiras, possíveis problemas e soluções e, ao final, os participantes constroem suas próprias composteiras, de pequena escala, em potes de sorvete. A oficina é, portanto, do tipo ‘faça você mesmo’”, diz.
NO YOUTUBE
Outra maneira de sensibilizar a população sobre a destinação correta do lixo é através de um vídeo educativo produzido pela Sema e a CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina). O vídeo “O Caminho do Lixo em Londrina” pode ser acessado neste link do YouTube.
“Estamos tentando montar estratégias para que a população entenda a importância de preservar a vida útil do aterro. Quanto mais lixo chega por dia, menor será o tempo útil das células existentes. Queremos que toda a população veja o que acontece com o lixo depois que ele ‘some’ da porta de casa, pois quando as pessoas têm a noção de como as coisas acontecem é que elas passam a refletir sobre a atitude correta”, afirma.
Em janeiro, a Sema produziu uma série de vídeos que explicam para onde é destinado o lixo reciclável. O conteúdo pode ser assistido no neste link. (Com N.Com)

Destinação de Resíduos em Londrina
PAPEL, PLÁSTICO, VIDRO E METAL
- Esses materiais são coletados pelas cooperativas de reciclagem de Londrina. No site da CMTU é possível saber as datas e horários da coleta em cada bairro.
ORGÂNICOS
- Alimentos não consumidos, podas de jardinagem, grama, cascas e outras partes de frutas e legumes, flores caídas e folhas secas. Além da compostagem, a destinação tem duas opções: para volume de orgânicos + rejeitos até 600 litros por semana, o recolhimento é feito pela coleta pública que encaminha para o aterro municipal. Quando o volume ultrapassa 600l por semana, a destinação é particular. Algumas empresas especializadas e regularizadas pela Sema para serviço estão neste link.
REJEITOS
- Papel higiênico, absorventes femininos, fraldas descartáveis, guardanapos de papel, toalhas de papel. São resíduos ainda sem possibilidade de reaproveitar ou de reciclar. Neste caso, a opção que atualmente resta em Londrina é o aterro. Neste grupo, a destinação também será particular caso o volume ultrapasse 600 litros por semana.
LÂMPADAS
- Lâmpadas fluorescentes, de LED, ou mistas. Esses materiais devem ser devolver para o fornecedor (no caso de empresa contratada para a troca de lâmpadas queimadas), ou ser depositadas em pontos de coleta. Veja os locais em Londrina neste link.
MÁSCARAS
- Máscaras de proteção respiratória devem ser encaminhadas para o aterro, da mesma forma como é feito com os rejeitos sanitários.
MEDICAMENTOS
- Remédios vencidos ou a descartar por outros motivos, frascos vazios de remédios, cartelas vazias de comprimidos. Também há pontos de coleta em Londrina. Veja a lista de estabelecimentos.
ÓLEO LUBRIFICANTE
- Óleo lubrificante usado ou contaminado, embalagens de óleo vazias, filtros, estopas e quaisquer outros materiais contaminados com óleo. Escorra bem o óleo das embalagens e tampe-as antes de colocar no saco ou na caixa para descarte. A destinação correta é devolver para a loja ou fábrica onde o produto foi adquirido (logística reversa) ou encaminhar para aterro de resíduos perigosos devidamente regularizado. Veja como funciona o descarte para embalagens plásticas de óleos e para óleos e lubrificantes usados.
ÓLEO DE COZINHA
- Óleo de fritura, gordura de assados, azeite, manteiga, margarina, outros óleos comestíveis (sempre acondicionar em frascos de plástico, bem fechados, evitando vazamentos). Coe o óleo para separar restos de alimentos que podem estar misturados e antes de lavar peneiras e utensílios utilizados para esta tarefa, limpe-os com toalha ou guardanapo de papel e descarte estes no lixo comum. Em Londrina, há pontos de entrega voluntária como o projeto Óleo Solidário, da Cáritas Arquidiocesana de Londrina.
LATAS DE TINTA
- Latas e barricas de papelão de tintas, vernizes e solventes, vazias, utilizadas em pinturas imobiliárias. As latas ou barricas devem estar completamente vazias e devem ser devolvidas para a loja ou fábrica onde o produto foi adquirido (logística reversa).
ELETRÔNICOS
- Equipamentos de informática, aparelhos de som, TVs, rádios, geladeiras, fogões, câmeras fotográficas, fios e cabos, aparelhos de telefone fixo ou celular, dentre outros. Os equipamentos podem estar completos ou ter apenas partes e peças avulsas. Há dois pontos de coleta em Londrina: a ONG E-Letro e a Green Ocean Eletrônicos.
ENTULHO
- Restos de concreto, cerâmica, cimento, argamassa, areia e pedras. Retirar objetos de plástico, papelão, metal, borracha, gesso, amianto ou de qualquer outro material que não seja cerâmica, concreto, cimento. Volumes até 1 metro cúbico podem ser levados a um PEV (Ponto de Entrega Voluntária). O PEV Zona Leste fica na rua Capitão João Busse, no Jd.Califórnia/Nova Conquista; o PEV Zona Norte fica na Rua Helmuth Fischer com Rua Annibal Balaroti, no Jd. Vista Bela. O horário de funcionamento é de segunda a sexta, das 8h às 16h45 e aos sábados, das 8h às 11h45. Volumes maiores devem ser encaminhados para uma empresa regularizada de trituração, através de caçamba contratada ou com veículo do próprio gerador.
PILHAS E BATERIAS
- Pilhas e baterias portáteis, baterias automotivas e outras de chumbo - ácido, devem voltar para a loja ou fábrica onde o produto foi adquirido (logística reversa). Outros pontos de coleta estão aqui.
PODA DE ÁRVORES E OBJETOS DE MADEIRA
- Galhos de arbustos e de árvores, impossíveis de acondicionar em sacos plásticos, assim como tábuas, vigas, pallets, pedaços de madeira, móveis e caixas de madeira, com volume até 1 metro cúbico podem ir para os PEVs, já quantidades maiores devem ser encaminhadas para uma empresa regularizada de Compostagem, através de caçamba contratada ou com veículo do próprio gerador.
PNEUS
- Em pneus sem possibilidade de reaproveitamento deve-se retirar peças de metal e de plástico. Acesse o site da Reciclanip e conheça o ponto de entrega cadastrado em Londrina.
EMBALAGENS DE AGROTÓXICOS
- Embalagens vazias de agrotóxicos devem ser devolvidos para a loja ou fábrica onde o produto foi adquirido (logísticareversa). -Em Londrina, outra opção é destinar para a Anpara (Associação Norte Paranaense de Revendedores Agroquímicos).
*A cartilha digital de Resíduos da Sema pode ser acessada AQUI
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