Cepac denuncia prisões ilegais
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quarta-feira, 17 de junho de 1998
Giovani Ferreira 
O Centro Paranaense da Cidadania (Cepac) está denunciando como ilegal a prisão de dois músicos na cidade de Tibagi, sul do Estado, a 90 quilômetros de Ponta Grossa. Segundo o Cepac, a prisão do maestro José do Carmo Silveira Júnior e do músico Celso Luiz Batista dos Santos seria parte de um jogo político. A entidade não explica, contudo, que jogo seria esse.
Silveira e Santos são acusados de estelionato, falsidade ideológica e corrupção de menores. Mas, de acordo com o Cepac, o promotor Mauro Celso Drobowolski e o juiz Marco Vinicius Schiebel estariam criando um clima de terror na cidade por conta das acusações contra os dois músicos. Segundo o juiz Schiebel, tudo foi feito dentro da lei, e, se os músicos estão presos, é porque existem provas suficientes para mantê-los na cadeia.
Marco Vinicius Schiebel afirmou ontem que o inquérito policial instaurado contra os dois presos levantou inúmeros indícios envolvendo o maestro em problemas de atentado ao pudor e corrupção de menores. Dos autos constariam também provas de estelionato e falsidade ideológica, com diplomas e carteiras de identificação falsas.
Com relação ao habeas corpus, que, de acordo com o Cepac, teria sido negado, o juiz garantiu que nem mesmo houve tal pedido por parte do advogado dos músicos. Como é que a Justiça vai conceder um habeas corpus sem uma solicitação formal?, perguntou o juiz. Segundo ele, como foi a Justiça de Tibagi que decretou a prisão preventiva, o pedido de habeas corpus precisa ser endereçado a uma segunda instância. A Folha não conseguiu contato com o promotor que está acompanhando o caso.
Toni Reis, presidente do Grupo Dignidade, disse ontem que a entidade vai acompanhar o caso para certificar-se de que os músicos não foram presos apenas sob acusão de homossexualidade.


