Até o próximo dia 29, o Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) pretende duplicar o número de atendimentos de clínica geral para adultos, inicialmente previsto para 300 consultas. Isso está sendo feito graças a um mutirão organizado com a participação de dentistas que atendem nas unidades básicas de saúde. O aumento do número de consultas foi definido depois que as vagas para o mês de outubro esgotaram na primeira semana de funcionamento do CEO. O gerente de Saúde Bucal da Secretaria de Saúde, Domingos Alvanhan, disse que o mutirão se justifica pela grande demanda existente na área. O CEO foi inaugurado no último dia 8 e tem uma equipe de 12 dentistas.
Pela falta histórica de investimento da saúde pública em odontologia, segundo o dentista, é que há tantos problemas tanto de clínica geral quanto de especialidades. ''É natural que cada serviço novo atraia muitos usuários porque os atendimentos estavam represados'', explicou Alvanhan.
O gerente lembrou que o enfrentamento desses problemas começou com a implantação de nove equipes de odontologia na rede municipal, integradas ao Programa Saúde da Família (PSF). ''Até o final do mês devemos implantar mais quatro equipes. Essas ações vão ajudar a resolver os problemas da população''.
O CEO atende das 7h às 21 horas e o agendamento deve ser feito nas unidades de sa© úde. Segundo Alvanhan, em outubro a agenda já foi completada e no dia 4 de novembro, as equipes dos postos começam a fazer o agendamento para aquele mês e também para dezembro. ''Por isso, é importante que os usuários procurem o posto. O CEO não atende os pacientes que procurarem direto''.
De acordo com um levantamento feito pelo Ministério da Saúde em 2001, o Brasil levaria 30 anos para dar solução à demanda de saúde bucal. A previsão foi feita por Giberto Pucca, que hoje coordena o programa de Saúde Bucal no Ministério. ''Estima-se que, se todas as pessoas tivessem acesso a atendimento odontológico, necessitaríamos que todos os cirurgiões-dentistas trabalhassem 8 horas por dia durante 30 anos, desde que nesse período não surgisse mais nenhuma manifestação de doença bucal, para que conseguíssemos cobrir todas as necessidades da população'', especificou Puca.
Dados oficiais do Ministério revelam que mesmo entre os que recebem acima de seis salários mínimos mensais, 40% das pessoas chegam a 60 anos completamente desdentadas, sendo que o Brasil lidera o ranking mundial de cárie.

mockup