Centros do abandono
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terça-feira, 05 de maio de 2015
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina Nos últimos anos, vários centros comunitários vêm enfrentando um processo de decadência e abandono por parte do poder público e da população. Muitos deles vinham sendo administrados por voluntários que, por vezes, tinham que usar dinheiro do próprio bolso para pagar contas de água e luz, além de reparos nos imóveis. Presidentes de associações de moradores optavam por longas peregrinações por escritórios dos poderes Executivo e Legislativo e pelas vizinhanças em busca de ajuda para manter os centros em funcionamento.
No entanto, muitos receberam diversas respostas negativas às suas reivindicações. Sem apoio, o resultado foi o acúmulo de dívidas e poucos interessados em tocar os centros comunitários. A consequência é o abandono dos imóveis, que passaram a ser alvos preferenciais dos vândalos.
Moradores de rua também passaram a utilizar esses espaços como abrigo, assim como usuários de drogas, que se apossaram desses centros abandonados para fazer uso de substâncias proibidas longe do olhar de reprovação da comunidade e da polícia.
Um dos símbolos do colapso desses espaços foi o desabamento do telhado do Centro Comunitário do Conjunto Avelino Vieira (zona oeste) no dia 24 de abril. O local, abandonado há tempos, já estava sem diretoria eleita por falta de interessados. O último presidente, Miguel Fonseca de Paula, de 67 anos, foi atingido pela doença de Chagas. "Não tinha ninguém que quisesse assumir a presidência da associação. Eu fui na Cohab (Companhia de Habitação de Londrina), Secretaria de Obras e gabinetes de vereadores várias vezes em busca de ajuda para reformar o centro comunitário, mas ninguém auxiliava. Antes, pelo menos me serviam algum cafezinho, mas agora nem água oferecem", reclama.
O comerciante Cláudio Pereira, de 26 anos, frequentou o espaço quando criança e se recorda do tempo em que fez aulas de capoeira. "Esse centro já funcionou como pré-escola, como escola de taekwondo. Também serviu para abrigar o programa de economia solidária e como capela mortuária. Vários velórios foram realizados ali", aponta.
Em outro ponto da cidade, no Conjunto Violin (zona norte), a área externa do antigo centro comunitário está tomada pelo mato. As telhas foram retiradas por funcionários da Prefeitura e a estrutura do telhado está apodrecendo, exposta ao sol e à chuva. Por dentro do prédio há pichações em todas as paredes. O banheiro já não possui condições de uso e toda a fiação elétrica foi furtada. A quadra esportiva também está depredada.
Quando a FOLHA esteve no local, no final de abril, duas pessoas não identificadas que estavam no imóvel saíram às pressas. O caminhoneiro Luís Carlos Gouveia, de 47 anos, mora nas proximidades do antigo centro comunitário do Violin e conta que o centro começou a sofrer a decadência depois que passou a ser utilizado para realização de forrós. "A vizinhança ficava bastante incomodada com o barulho", revela. Ele disse esperar que o centro não volte a ter o barulho daqueles dias, mas também não quer que o espaço permaneça abandonado. "Devia ter um meio-termo. O espaço deveria ser utilizado para ministrar oficinas educativas ou proporcionar outras atividades que beneficiem a população do bairro", solicita.
Um dos problemas, aponta a dona de casa Neuci Rodrigues, de 46 anos, é que ninguém quer se candidatar à presidência da associação de moradores. "Ninguém assume aquele espaço. Enquanto isso a tendência é de que o local estrague cada vez mais", lamenta.
Próximo dali, no Conjunto Maria Cecília (zona norte), o imóvel do antigo centro comunitário também estava ocupado por sem-teto. Segundo a comerciante Gislaine Silva, de 43 anos, ninguém cuida do local há dois anos. O comerciário Anderson Moura, de 33, frequentou o centro quando ali funcionava uma pré-escola e se recorda com carinho daquele tempo. "É triste ver tudo aquilo abandonado. Antes era tudo organizado, com paredes pintadas. Hoje o mato está tomando conta de tudo e urubus pousam na caixa dágua." O local foi repassado à Secretaria Municipal de Educação para ser integrado à Escola Municipal Moacir Teixeira.
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