Centros de educação pedem socorro
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sábado, 10 de setembro de 2016
Vítor Ogawa Reportagem Local 
Londrina possui 53 centros de Educação Infantil filantrópicos, unidades conveniadas, que recebem recursos municipais para a folha de pagamento de professores e da merenda escolar. No entanto, essas unidades dependem de doações e contribuições da comunidade e de empresas para que possam continuar funcionando.
Um dos casos mais graves é o do Centro de Educação Infantil da Associação de Pais e Mães do Conjunto Aquiles Stenghel (zona norte). Luzia Gomes, de 57 anos, é avó de uma das alunas, de um ano e seis meses. Ela diz estar ciente da situação financeira do centro. "A dívida é muito grande e para os pais é difícil contribuir, pois a maioria é dependente de salário", afirma.
Quando a reportagem chegou ao local na manhã de sexta-feira (9), a diretora Eliane Cavalari estava fazendo pães para revender e tentar levantar algum fundo. "Todo mundo tem que colocar a mão na massa", destacou. Uma outra funcionária estava fazendo doces. "Fazemos doce de leite, de abóbora e de leite em pó. Outro dia fizemos quibe e no outro bolo. Estamos nos virando, mas o dinheiro que a gente consegue com isso é muito pouco", lamentou a diretora.
"Nós temos uma média de R$ 6 mil a R$ 7 mil de deficit mensal; temos R$ 12 mil de dívidas e não temos de onde tirar para pagar tudo isso. Daqui a pouco a nossa dívida vira uma bola de neve e a preocupação é enorme. Precisamos de ajuda", pediu,

O quadro realmente é preocupante. O piso está deteriorado, o toldo que cobre o caminho entre uma ala e a outra está em farrapos, o banheiro está com vazamento, entre outros problemas. A porta de uma das salas que foi arrombada em 2012 permanece danificada até hoje, sem contar as exigências da Secretaria de Educação e da Vigilância Sanitária que precisam ser cumpridas. "A prefeitura banca o salário, água e luz e o alimento das crianças. Ela também cobre um pouco das despesas com o material de limpeza, mas muito pouco. Eu não tenho queixas da prefeitura, a parte dela tem sido cumprida, mas o restante das despesas depende de contribuição voluntária, mas isso está complicado de conseguir", desabafou.
"Eu peço que empresários doem caixas de água com mil litros de capacidade cada, cimento, toldos, pedra, areia para fazer os reparos que precisamos", pediu a diretora, informando já ter recebido doações de cimento. "Tendo material a gente se vira. Eu chamo meu marido e dois pais, que são pedreiros, se prontificaram a doar a mão de obra deles", explicou.
MENINO JESUS
No Centro de Educação Infantil Menino Jesus, localizado na Vila Izabel (zona leste), a situação não é diferente. A gerente administrativa do espaço, Jaqueline Pereira de Barros, ressaltou que são atendidas 180 crianças e as doações voluntárias caíram 80% depois que o País entrou em crise. "Estamos com uma dívida de R$ 9 mil. Temos que fazer muitos eventos para cobrir as despesas. Vendemos pizzas, pastéis, coxinhas, pão. Realizamos festa junina, chá de mulheres e show de prêmios. Mas tudo isso não tem sido suficiente", expôs.
Jaqueline revelou que as contas estão ficando para trás. "Vamos pagando uma, atrasando outra e vamos tentando levar. Nós chamamos os pais para reuniões e alguns falam que vão ajudar, mas só alguns abraçam a causa."
SERVIÇO: A Associação de Pais e Mães do Conjunto Aquiles Stenghel fica na Rua Vergílio Perim, 905, Conjunto Aquiles Stenghel, fone (43) 3336-6465.
O CEI Menino Jesus está localizado na Rua Orlando Silva, 536, Vila Izabel, fone (43) 3321-1987.


