Centros comunitários estão abandonados
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de outubro de 2013
Viviani Costa<br>Reportagem Local 
Londrina O espaço que poderia reunir a comunidade virou motivo de preocupação. O Centro Comunitário do Conjunto Violin, na zona norte de Londrina, está abandonado há vários anos. O imóvel com portas e vidraças quebradas virou abrigo de usuários de drogas durante a noite. Um cadeado e uma corrente colocados na porta da frente tentam impedir a entrada dos vândalos, mas, pelas janelas, é possível perceber que o improviso não funcionou.
Vizinha ao imóvel, a costureira Luzinete Luciano, de 37 anos, reclama da insegurança. Ela tem quatro filhos e teme que eles sejam assaltados na porta de casa. "Esse centro comunitário está assim há mais de 15 anos. Ninguém sabe se tinha uma associação responsável por ele. Às vezes a molecada fuma maconha e a gente fica com medo de enfrentar esse pessoal", contou. O sonho de Luzinete é ver o local transformado em um centro de capacitação profissional. "Eu poderia ensinar costura aqui, fazer uma escolinha e dar oportunidade para essa garotada aprender uma profissão", afirma.
No Conjunto Maria Cecília, também na zona norte da cidade, o muro destruído durante o temporal do dia 22 de setembro ainda não foi reconstruído. O portão improvisado já transparece a falta de recursos da associação de moradores. O espaço foi cedido pela prefeitura, mas o presidente da entidade, Celso Salis, reclama da falta de apoio do poder público para a manutenção. "Já procuramos a prefeitura para pedir um apoio para o conserto do muro, mas eles disseram que não vão ajudar. Também estamos sem água e sem luz. A última vez que paguei foi com dinheiro do meu bolso", lamenta.
No local, apenas o aposentado Vanderlei Aguilera, de 64 anos, tenta zelar pelo centro comunitário. O imóvel possui várias perfurações nas telhas e vidros quebrados. "Com o muro caído, muita gente entra e sai quando quer. As pessoas fumam maconha aqui e não tem muito o que fazer", diz.
Dez centros comunitários são de responsabilidade da Companhia Municipal de Habitação de Londrina (Cohab-Ld). O restante, incluindo os imóveis dos conjuntos Violin e Maria Cecília, fica a cargo da Prefeitura, que não possui um levantamento sobre a quantidade de espaços como estes existentes na cidade. De acordo com o secretário municipal de Gestão Pública, Rogério Carlos Dias, só agora a administração tenta fazer um cadastro de todos os bens públicos municipais.
A tabela começou a ser elaborada por dois servidores em janeiro deste ano e já conta com 5.386 itens entre praças, prédios públicos, fundos de vale e centros comunitários. "O trabalho é feito por meio de um geoprocessamento manual. Não temos um software ou uma tecnologia para agilizar esse levantamento", ressalta.
Conforme o secretário, a exigência do cadastro de bens públicos foi feita pelo Tesouro Nacional a todos os municípios do País. O prazo para catalogar esses espaços termina em 31 de dezembro de 2014. Até o final deste ano, um levantamento parcial deve ser encaminhado à Controladoria da prefeitura. O objetivo é melhorar o controle dos bens públicos.
No caso dos centros comunitários, grande parte é cedida para associações de moradores e secretarias municipais, como as de Educação e de Assistência Social. A partir da assinatura do contrato, a administração do espaço fica a cargo dos representantes que solicitaram o uso do imóvel. No entanto, o município pode retomar o local se entender que a proposta inicial não foi cumprida.
"Até agora já emitimos mais de 30 notificações extrajudiciais a pessoas que estariam utilizando as áreas de forma irregular", destacou o secretário. Dias afirmou ainda que pretende levantar documentos sobre as cessões de uso e os nomes dos responsáveis pelos imóveis dos conjuntos Violin e Maria Cecília. "Vamos solicitar uma vigilância maior por parte da Guarda Municipal para garantir a segurança na região", promete.


