Tirar das ruas todas as pessoas que não têm onde morar e vivem em situação de miséria. Esta é a proposta de um projeto que existe em São Paulo há três anos e foi implantado em Cambé (13 km a oeste de Londrina) há três meses. Apesar de nova e aparentemente ambiciosa, a iniciativa tem conseguido bons resultados. Em São Paulo são 220 pessoas acolhidas, que recebem alojamento 24 horas, quatro refeições diárias, vestuário, encaminhamento para assistência médica, odontológica e jurídica, além de qualificação profissional.
O Projeto Moradores de Rua, desenvolvido pelo Centro de Assistência aos Moradores de Rua (Camor), é mantido pelo trabalho de voluntários da Igreja Yahweh Sebhã’ôth (Senhor dos Exércitos) e em grande parte por doações de outras igrejas evangélicas. Para aumentar a capacidade do projeto na região, está sendo construída uma sede em Londrina. Hoje, a partir das 20 horas, será realizado um coquetel por adesão no Village Praça de Eventos, em Cambé, com o objetivo de divulgar a proposta e arrecadar fundos para a nova construção, com capacidade para receber 180 pessoas.
‘‘A nossa meta é tirar todos os sem-teto das ruas, em todo o território nacional’’, explica a pastora Nadia Borovik, que está à frente da iniciativa em Cambé. Segundo ela, as áreas em que o projeto é desenvolvido geralmente são cedidas em comodato. ‘‘Se temos o local, começamos o trabalho de imediato, onde quer que seja.’’
No caso de Cambé, a capacidade da casa e dos galpões localizados na Rodovia Melo Peixoto é de receber até 80 homens. No local foi instalado equipamento para fabricação de blocos de cimento e oficina de caminhões de brinquedo, feitos em madeira. O diretor-geral do Camor, pastor Antônio Raimundo de Oliveira, afirma que a produção das oficinas profissionalizantes banca cerca de 30% do custo do projeto. Segundo ele, 70% das pessoas que aceitam ser acolhidas adaptam-se às normas da casa, que incluem três cultos diários.
Um dos acolhidos é Agde Borges dos Santos, de 50 anos. Ele perambulava pelas ruas de São Paulo e umas duas vezes por semana ajudava a descarregar caminhões. Há nove meses passou a fazer parte do projeto e há três meses veio para Cambé, ensinar aos companheiros como operar a máquina de fabricar blocos. ‘‘Hoje eu vivo melhor, porque tenho a graça de Deus’’, resume.

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