Centro terá mais um megashopping
Mauricio Della Barba
De Londrina
O terreno que hoje abriga o Colégio São Paulo, na área central de Londrina, deve abrigar um dos maiores complexos comerciais da cidade. O projeto foi apresentado ontem, pelo diretor da Construtora Quadra, Luís Carlos Moro Pires, em uma reunião na Câmara de Vereadores marcada para discutir o projeto de lei que visa o tombamento histórico da casa que abrigou os primeiros padres da região, construída no mesmo local.
Pires fez questão de mostrar que um possível tombamento poderá comprometer todo o projeto, que vem sendo desenvolvido há dois anos.Estamos preparando o projeto há dois anos e agora somos pegos de surpresa com essa lei, disse.
Segundo o diretor, o complexo a ser construído terá uma área de 32 mil metros quadrados e vai contar com um shopping de dois pavimentos, com cerca de 100 lojas; um estacionamento em três subsolos capaz de abrigar 400 automóveis; um piso intermediário, para uma grande academia de ginástica e duas torres com 15 andares cada uma, disponibilizando 180 salas comerciais próprias para escritórios e consultórios.
Pires salientou que não há possibilidades de alojar a casa no projeto apresentado. O seu tamanho e a sua localização no terreno impede qualquer aproveitamento no projeto atual, afirmou. O diretor criticou o projeto de tombamento, mas avaliou como correta a preocupação com a conservação histórica da cidade.Não sou contra a preservação da história de Londrina, mas o empresário tem que saber antecipadamente quais são os imóveis que não podem ser mexidos, disse.
Para Ana Cleide Cesário, membro do Conselho de Patrimônio Histórico Estadual e professora de ciências sociais da Universidade Estadual de Londrina (UEL), a casa deveria ser preservada. Do ponto de vista histórico, a casa tem um enorme valor. Já do ponto de vista arquitetônico, o valor é discutível. Acredito que seja possível construir sem destruir, disse Ana Cleide.
A Construtora Quadra também aproveitou a reunião para esclarecer que as obras do complexo só serão iniciadas quando o processo de despejo na Justiça for concluído. Pela lei, a data de saída é junho do próximo ano, mas por ser uma escola, temos que respeitar a conclusão do ano letivo. Assim sendo só poderíamos iniciar a construção em 2001, disse o diretor da construtora.
A Quadra poderia antecipar as obras caso os ocupantes atuais do terreno o Colégio São Paulo optem por desocupar a área antes da decisão da Justiça. Apesar dos professores do Colégio São Paulo terem anunciado a mudança de local da escola a partir de janeiro próximo, o diretor da construtora afirmou não ter recebido nenhum comunicado oficial, registrando a desocupação do imóvel. Sabemos que o colégio vai para outro local pelos jornais, mas até agora não fomos comunicados oficialmente, revelou Pires.
Outra solução apresentada durante a reunião foi uma possível reconstrução da casa em outro local. O diretor da Quadra apoiou a idéia. Se isso for preciso, garanto que desmonto a casa e entrego a quem se dispuser a reconstruí-la.
A reunião na Câmara de Vereadores serviu para mostrar que Londrina não conta com leis que garantem a preservação histórica de edificações e monumentos. O problema da casa do Colégio São Paulo é apenas o primeiro. Com o desenvolvimento rápido da cidade, outros problemas semelhantes vão aparecer, disse o vereador Adalbert Pereira (PFL).
Depois de muita discussão, não foi possível encontrar uma solução para o caso. Com isso, o projeto de tombamento histórico da casa que abrigou os primeiros padres de Londrina foi retirado de pauta por duas sessões, para que o Executivo manifeste-se sobre o impasse.





