Centro Tecnológico está sem recursos
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sábado, 12 de dezembro de 1998
Lucilia Okamura 
Quatro meses após o início do funcionamento do Centro Tecnológico Industrial de Londrina (CTIL), o Governo do Estado ainda não enviou nenhuma verba para a sua manutenção. Uma turma de 40 alunos, que está fazendo o curso de Eletrônica Industrial, com ênfase em telecomunicações, termina o primeiro módulo na próxima semana e se mostra apreensiva com relação ao futuro da escola.
A criação do CTIL, de nível pós-médio, foi formalizada oficialmente no dia 3 de setembro pelo secretário da Educação do Estado, Ramiro Wahrhaftig. O Centro Tecnológico funciona na Escola Estadual Maria do Rosário Castaldi, no Jardim Bandeirantes (zona oeste). Na época, o secretário anunciou a liberação de R$ 170 mil para a compra de equipamentos e computadores.
As aulas tiveram início em outubro, no período noturno e a turma deve terminar o primeiro módulo (teórico) nos próximos dias. O diretor da escola, Carlos Augusto Nungo Genez, explica que o segundo módulo deve começar em janeiro e ser concluído em abril. O segundo módulo dá para fazer sem os equipamentos, mas do terceiro ao oitavo módulo, o laboratório é primordial, ressalta. A previsão é do curso ter a duração de um ano e meio. A previsão inicial era de oferecer também o curso de Química Industrial.
O diretor da escola disse que já conversou com o Núcleo Regional de Ensino, que alegou que o repasse de recursos depende da liberação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Eu entendo a posição do Núcleo, mas os alunos estão apreensivos, observa.
O técnico em telefonia, Eder Aparecido Camargo, um dos alunos, explica que a turma toda está preocupada com esta indefinição. Segundo o técnico, ao contrário dele, muitos alunos estão desempregados e estavam com uma grande expectativa com relação ao Centro Tecnológico.
O CTIL foi objeto de polêmica mesmo antes de ser criado. No primeiro semestre deste ano houve impasse sobre a execução da proposta do Governo de implantar o centro na escola. Isso porque alguns pais de alunos do 1º grau manifestaram descontentamento em ter que transferir os filhos para outra escola - com a criação do CTIL, o ensino de 1º grau no colégio acabou.
Em maio, pais, alunos, professores e funcionários resolveram a polêmica realizando um plebiscito. De um total de 1.177 votantes, 953 optaram a favor da implantação.
A Folha telefonou ontem à tarde para a coordenadoria do Programa de Melhoria, Expansão e Inovação de ensino Médio do Paraná (Proem) - responsável pelos centros tecnológicos - mas não obteve retorno.


