Trabalhando de graça durante duas horas por semana por um ano, um profissional acumularia mais de 100 horas ou duas semanas e meia de trabalho. Para um médico que atende por convênio médico, isso significa pelo menos R$ 3 mil anuais que ele deixa de ganhar. Mas nenhum dos 73 voluntários do Centro Social Coração de Maria de Londrina, da paróquia de mesmo nome, jamais cogitou a idéia de fazer uma conta dessas.
O que move esses médicos, enfermeiros, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, assistentes sociais, advogados, nutricionistas e farmacêuticos também não é a religião inclusive muitos desses profissionais nem são católicos. A vontade de ajudar o próximo transcende questões materiais e religiosas.
A iniciativa está relacionada ainda a uma visão mais abrangente a respeito da propagação da palavra divina por parte da igreja católica. ''Atender às necessidades dessas pessoas também é um trabalho de evangelização, na medida em que mostra que elas não estão sozinhas em sua dor, e que há pessoas dispostas a ajudar a superar as dificuldades sem propriamente falar o nome de Jesus nem levar a bíblia'', discorre o padre José Paulo Gatti, diretor do centro social. Ele conta que a questão do voluntariado também é trabalhada com a comunidade, ressaltando a importância de se manter o mesmo comprometimento e responsabilidade dedicados aos trabalhos remunerados.
Segundo Rosângela Faria, fisioterapeuta voluntária e coordenadora da instituição, é graças a esse trabalho voluntário que o centro social atende hoje uma média de 750 pessoas carentes por mês, seja prestando atendimento à saúde, ou fornecendo remédios gratuitos (provenientes de doações) em sua farmácia.
A entidade existe desde 1991 ano em que, no meio da celebração de uma missa, o padre Irio Rissi teve a inspiração de construir um centro social. Três dias depois a idéia já começava a ser posta em prática. O centro passou por mudanças de sede até chegar à estrutura que tem hoje, com diversas salas e consultórios equipados, biblioteca e cozinha.
O critério levado em consideração para efetuar o cadastro e atendimento aos pacientes é possuir renda per capita igual ou inferior a um quarto do salário mínimo. Mas, segundo a assistente social da instituição, Andréia Cristina Moreira, isso não é uma regra. ''Cada caso é avaliado em todo o seu contexto, de acordo com a sua necessidade. Mesmo quando a pessoa não é aceita, eu sempre procuro encaminhar o paciente, até hoje não deixei ninguém sem uma orientação.''
Segundo Rosângela, a procura por alguns profissionais, como clínico geral, dentista e pediatra, ainda é baixa. Mesmo nos serviços mais procurados, a fila de espera dificilmente ultrapassa um mês. Ela informa que a instituição conta ainda com a ajuda de especialistas em áreas como cardiologia, pediatria e oftalmologia que, embora não possam se deslocar ao centro para atender, recebem os pacientes encaminhados até eles.

Serviço: Quem quiser colaborar como voluntário ou precisar de atendimento no Centro Social pode ligar para (43) 3324-4484.

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