Os dois maiores hospitais particulares de Londrina, Irmandade Santa Casa e Hospital Evangélico, têm interesse em se capacitar para o atendimento à vítimas de queimaduras. Mas, segundo as direções desses estabelecimentos, o que os impede é a falta de recursos, principalmente para bancar os custos com o tratamento após o primeiro atendimento, uma vez que os repasses do Sistema Único de Saúde (SUS) não cobrem a totalidade dos gastos.
O único estabelecimento capacitado para atender queimados no Estado é o Hospital Evangélico de Curitiba. O chefe do setor de queimados do hospital, Manoel Alberto Prestes, revelou que a ala não consegue atender toda a demanda estadual. Segundo ele, são apenas 28 leitos (13 crianças e 15 para adultos) para atender pacientes do SUS e particulares de todo o Paraná. ‘‘Normalmente, o setor está sempre lotado. As vagas são raras’’, apontou. Ele não soube precisar qual o custo para manter a ala nem os valores que são repassados mensalmente pelo SUS.
O superintendente da Santa Casa, Fahd Haddad, disse que a ampliação que está sendo feita no hospital facilitaria a implantação de um setor para queimados. ‘‘Poderíamos ter uma ala, desde que haja apoio das lideranças’’, argumentou Haddad, completando que são muito altos os custos para criar a infra-estrutura física, comprar equipamentos e móveis específicos, treinar pessoal e continuar prestando atendimento ao paciente já estabilizado e fora de risco de vida. Haddad afirmou que existe demanda na região para essa especialidade. Ele alertou para a possibilidade de aumento dos casos de queimaduras porque os acidentes tendem a ser mais frequentes com o crescimento e a industrialização do município.
O diretor geral do Hospital Evangélico de Londrina, Antonio Carlos Ribeiro, também aponta a necessidade da instalação de um setor especializado no tratamento de queimaduras. ‘‘Essa é uma reivindicação antiga, mas tem que haver disponibilização de recursos. Para o administrador, uma unidade pequena, com poucos leitos, já seria suficiente para atender os casos mais graves.
O diretor clínico do Hospital Universitário da Universidade Estadual de Londrina (HU/UEL), Sylvio Vilari Filho, também avaliou que o maior entrave é o econômico. Ele praticamente descartou a possibilidade do HU contar com uma ala para vítimas de queimaduras. O hospital, segundo Vilari Filho, não tem estrutura física para tanto e também não seria o mais indicado para tratar desses doentes por causa do risco de infecção hospitalar.

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