Centro para deficientes pode fechar por falta de recursos
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quarta-feira, 08 de outubro de 1997
Luka Morais Londrina 
Milton DóriaA duras penasLúcia e a fisioterapeuta Helaine Herrero, com crianças atendidas pelo Vipe: apelo à comunidade O Centro de Vivência, Integração e Potencialidade (Vipe), uma entidade que atende gratuitamente crianças portadoras de deficiência física e mental, precisa de ajuda para manter o serviço. O centro funciona desde o início do ano na rua João XXIII, 335, jardim Quebec.
Sem receber ajuda de órgãos governamentais, o Vipe sobrevive de doações e promoções de voluntários. No local, construído com ajuda da comunidade, uma média de 14 crianças tem atendimento nas áreas de educação especial, fisioterapia, odontologia, medicina, fonoaudiologia, assistência social e psicologia.
Diretora da entidade, a fisioterapeuta Helaine Herrero informa que dos 10 profissionais que prestam atendimento individualizado às crianças, pelo menos três precisam ser remunerados. Se um empresário resolvesse adotar um desses profissionais, já teríamos um problema a menos. Ela informa que o valor dos salários é de R$ 300,00.
A importância do trabalho feito voluntariamente desde o início do ano é atestado pelas mães que levam as crianças ao centro. A empregada doméstica Marlene Ferreira, 37 anos, moradora na zona norte, compartilhou com alguns dos profissionais do Vipe a emoção ao ver a pequena Letícia, de 2 anos e 7 meses, conseguir levar à boca um pedaço de bolacha.
Quando eu a trouxe aqui, no começo do ano, ela nem conseguia parar sentada, conta a mãe. Letícia sofreu paralisia cerebral e tinha os movimentos de um lado do corpo totalmente comprometidos. A menina vem recebendo estimulação através de fisioterapia e fonoaudiologia. Hoje eu posso dizer que ela está 90% recuperada.
A dona-de-casa Lúcia de Lima Lugão, moradora no parque Ouro Branco, leva o filho Diego, de 1 ano e 5 meses, três vezes por semana até o Vipe. Diego teve hidrocefalia, foi submetido a cirurgias e está em tratamento há seis meses. A professora Edisleine Única destaca que os resultados apresentados pelo menino são surpreendentes. A cada dia tem uma novidade.
A mãe do menino diz que tem ajudado as promoções do centro. A gente apela para quem tem mais condições: ajudem a pagar os salários dessas pessoas. Sem elas, as crianças aqui não vão ter futuro. Lúcia disse que procurou atendimento em outras entidades mas não havia vaga para seu filho. Ela destaca ainda a qualidade do atendimento prestado e do carinho dedicado às crianças pela equipe de profissionais do Vipe.
O menino Paulo Henrique, 7 anos, portador de uma doença rara, a Síndrome de Huler (mucopolisacaridose tipo I), também é levado para sessões de fisioterapia, fonoaudiologia e treinamento básico no Vipe. O menino teve o desenvolvimento comprometido pela doença e tem a altura de uma criança de três anos. Além de problemas respiratórios, ele sofre de deficiências ósseo-articulares e motoras.
A diretora Helaine Herrero revela que todo material usado na construção do centro, erguido em um terreno alugado, foi obtido à base de doações. Ela diz que o lanche servido às crianças é doado por funcionários da Sercomtel, por um vereador e uma senhora que envia o leite. O resto a gente se vira, até tirando dinheiro do bolso, revela.
Helaine conta que já tentou ajuda junto à Prefeitura para garantir o pagamento dos professores, mas o projeto ainda não foi aprovado. Esperamos que isso seja possível para a liberação de recursos do orçamento do ano que vem, diz. O problema é que precisamos de ajuda o mais rápido possível. Além dos professores, o centro tem despesas com secretária, água, luz e telefone.
Serviço - Interessados em colaborar com o Vipe podem entrar em contato pelo telefone 327.4828. Ou fazer doações através da conta 48.733 agência 390 do Banestado.


