‘‘Acho que o momento mais difícil nós já passamos. A partir do segundo semestre estaremos rodando a todo vapor, com maior experiência, um quadro de funcionários completo e com resultados ainda melhores’’. A avaliação é do diretor-geral do Caic da zona sul, Amauri Pereira Cardoso, sobre as dificuldades que a escola passou logo após a inauguração, como falta de alimentos, de segurança e também estrutura física.
O diretor explica que a Prefeitura já deslocou 13 operários da Frente de trabalho para ficar no Caic e serão contratados agora mais 16 seguranças - através de um convênio entre a Prefeitura e a Associação de Pais e Mestres. Depois da desativação da Guarda Municipal, há pouco mais de um mês, a escola ficou sem seguranças e chegou a ter briga, roubo de material e até tiroteio.
O problema de falta de alimentação também está resolvido, pelo menos este mês. A Prefeitura repassou 1,2 mil quilos de arroz para o Caic, que deverão ser somados ao estoque. Os legumes, verduras e frutas já são conseguidos através do Mercadão Municipal. ‘‘Só esperamos que a administração continue comprando esses alimentos nos próximos meses, para que não haja mais problema’’, ele informa. Atualmente, cerca de 85% dos 1.120 alunos fazem as refeições no local.
‘‘Eles (os alunos) já estão mais fortes, mais corados, se compararmos a como eles chegaram aqui. E também estão deixando de lado a marginalidade, o que é muito importante’’, diz o diretor Amauri Cardoso. Ele explica que, além do poder público, a escola também está buscando alternativas junto à iniciativa privada. Um exemplo é a contratação de professores de capoeira por parte de uma empresa de ônibus.
Sobre o desempenho das crianças na sala de aula, o diretor-geral do Caic acredita que tem melhorado a cada dia. ‘‘Temos casos de alunos que pareciam nunca ter jeito e que agora já têm melhorado muito’’, aponta. Ele explica que um dos motivos para esses resultados é a formação de salas de reforço e intensivo, mesmo fora do período de prova, para evitar a reprovação no final do ano.
Nas últimas semanas, com a queda da temperatura em Londrina, Cardoso diz que o frio tem causado preocupação, já que as crianças são carentes e nem todas têm agasalho. ‘‘Alguns chegam na escola sem blusa e a gente nem sabe o que fazer. São situações bem difíceis.’’ Além da contribuição da comunidade, o diretor espera que parte dos agasalhos recolhidos pela Campanha do Agasalho do Provopar sejam doados às crianças do Caic.
O bom resultado das crianças nos esportes coletivos e individuais também tem animado Amauri Cardoso. ‘‘Com certeza nós teremos bons resultados nas próximas competições, como os jogos escolares’’, aposta. Mas o diretor do Caic lembra de um pequeno detalhe: a escola ainda não tem uniforme para competir. ‘‘Aí está uma boa oportunidade para uma empresa que quiser patrocinar essas crianças.’’
(Lúcio Horta)

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