Na próxima semana, o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) começa a transferir as famílias de brasiguaios que estão acampados próximo das cidades de São Miguel do Iguaçu e Ibema, região Oeste do Estado. Segundo o superintendente do Incra, Petrus Abib, as quase mil famílias serão levadas do Oeste para uma área na região Centro-Oeste do Paraná. ‘‘Foi criado o Centro de Trânsito, que vai proporcionar infraestrutura básica aos brasiguaios, antes de transferi-los para assentamentos no extremo-sul do Pará ou em algumas localidades do Paranᒒ, disse o superintendente, sem especificar em qual cidade vai funcionar o centro e os assentamentos.
Abib disse que a transferência para o centro de trânsito vai servir para cadastrar o número de brasiguaios que estão no Estado. Com base neste levantamento, o Incra pretende verificar quantas famílias se disporiam a viver no Pará, quase na fronteira com o Mato Grosso. ‘‘Acredito que a resistência, causada pela proposta de mudança, será derrubada quando mostrarmos que a vida deles no Pará será melhor que a atual’’, afirmou. Na semana passada, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) e líderes dos brasiguaios se colocaram contrários à proposta.
O superintendente disse que, depois que os interessados se inscreverem para mudar, será montada uma comissão entre o Incra e os líderes dos brasiguaios para levá-los ao Pará, dentro de 20 dias. Ele afirmou que o local do assentamento no norte do Brasil só será apresentado quando houver a certeza do interesse de cada uma das famílias. ‘‘Não queremos que aconteçam invasões na região, da mesma forma em relação ao centro de trânsito’’, disse. Para Abib, o resultado positivo do assentamento no Pará deve atrair outros brasiguaios em situação precária no Paraguai. Naquele país, vivem 120 mil deles.
Quanto às indenizações milionárias de terras desapropriadas no Oeste do Estado, Abib disse que até o fim da tarde de ontem não tinha resposta das negociações entre o Incra, Ministério Público e Tribunal Regional Federal (TRF) sobre as indenizações que envolvem terras do Paraná, cuja soma pode chegar a R$ 13,5 bilhões.

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